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sábado, 25 de abril de 2020

Nem toda casa é um lar

"A vida é o que acontece enquanto você faz outros planos". John Lennon

Anderson Manuel de Araújo

O isolamento social em tempos de corona vírus é capaz de nos proporcionar infinitas sensações. Isolar-se em casa, situação imposta a profissionais que não exercem atividades "essenciais" faz com que cada pessoa mergulhe dentro de si e visite com mais frequência o seu próprio passado, suas escolhas e estradas percorridas até o presente. Uma sociedade habituada a falar, fazer, construir, agir e reagir foi obrigada a calar, parar, pensar e refletir sobre si mesma. Muitas descobertas, dentre elas a de que nem toda casa é um lar. Além disso, mais do que nunca, tornou-se fundamental saber dominar ou se quisermos, "adestrar" o sentimento de medo. E mais desafios também nos foram impostos: as tarefas domésticas! Tudo isso não será a prescrição "médica" de dias e horas para a vivência de um "laboratório de experimentações" que poderá nos tornar mais humanos?

A solidão imposta pelo isolamento físico nos traz à memória a máxima socrática "Conhece-te a ti mesmo": mergulhe dentro de si mesmo, conheça suas forças e suas fraquezas, jogue luz onde há sombras; reveja seus passos e avalie todos as suas ações e reações que fizeram com que chegasse no lugar onde se encontra. Onde você estava e não está mais quando tudo "parou"? O que estava fazendo e não terminou de fazer? O que deseja fazer e agora não é possível fazer e quem sabe, a partir de agora será impossível ou mesmo "sem sentido" fazer? 

Vejamos por uma perspectiva positiva: o presente nunca foi tão pleno como o temos vivido. Quanta vida já vivida sem "sentir" o tempo, sem sentir as horas... Ainda que cause angústia em muitos, viver as horas, os minutos e os segundos do despertar ao adormecer faz deste "laboratório" uma experimentação da nossa humanidade, tornando-nos mais próximos de nós mesmos. Não encontramos nem igrejas, nem estádios e nem shoppings abertos para nos salvar, distrair ou mesmo preencher nossa "sede" de alguma coisa.

Temos sede e fome: o isolamento evidenciou nossas "faltas". Sede de afeto, atenção e cuidado. Fome de amor, arte e segurança. Sextas e segundas-feiras nunca foram tão semelhantes. "Sextou" deixou de ser proclamado por todos aqueles que ao final de uma semana de muito trabalho buscam momentos de lazer e relaxamento. Lemos mais livros, passamos mais tempo navegando na internet, mas sentimos falta da sala de aula, do escritório, do café no intervalo com os colegas de trabalho ou da escola e da faculdade. Fazem-nos falta: o abraço dos avós, o olhar misericordioso dos nossos amigos e a muitos, as cerimônias que nos conectam ou nos tornam mais íntimos de Deus ou do que cada qual entende como sagrado.

Descobrimos que um "aglomerado de pessoas" na maioria das vezes não corresponde ao que denominamos de "família" e que nem toda casa ou lugar pode ser classificado como "lar". A panela vazia, o banheiro sujo e a sala preenchida constantemente por pessoas podem nos fazer questionar "no quê" nos tornamos; conhecidos ou desconhecidos uns para os outros? Tornamo-nos escravos ou escravizamos? Tornamo-nos irmãos? Enquanto alguns se acostumaram a ser servidos, notamos que outros se habituaram a servir. Eis o momento da experimentação que consiste em abandonar os postos "preestabelecidos" e participar do "fazer" doméstico: preparar nosso alimento, lavar a privada e a panela vazia, recolher o lixo; tarefas que certamente nos aproximam da nossa condição humana!

A "prescrição" para o período: respirar fundo, alimentar-se bem, tomar banho de sol, estabelecer horário para leituras, tarefas domésticas, sessões de cinema e "lives", tudo em casa. Muitas aprendizagens neste isolamento não devem ser esquecidas quando a livre circulação nos for novamente prescrita, e outras devem continuar sendo experimentadas posteriormente. Primeiro, precisamos nos conscientizar de que o olhar do outro nos resgata das sombras que o olhar viciado sobre nosso próprio ego produz, logo, "ser visto" já é uma maneira de receber luz, afeto, de existir (de ser com os outros), em outras palavras, podemos dizer que o olhar do outro e sobretudo dos nossos amigos nos ilumina. Olhar de pai, mãe, avô e avó? Estes já nos fazem crescer e tornam o nosso futuro "bendito" (bem falado). Também não menos importante, deve-se ter sempre em mente que cuidar de alguém é tão bom quanto receber cuidados. Esquecemo-nos da "ética do cuidado". A corrida para o trabalho e para nossos lugares "seguros", seja dentro do carro escuro ou no ônibus com nossos fones no ouvido produziu uma sociedade de zumbis que precisam de anestesias para percorrerem todos os dias os mesmos trajetos. A ética do cuidado desperta o nosso olhar para o outro (desconhecido) que precisa de uma palavra, de um sorriso, de pão ou simplesmente, de ser escutado. 

A solidão é mestra: fazer compras não nos torna mais amados, nem reconhecidos. Mais tecnologia não faz de nós pessoas mais felizes e plenas. Roupas, jóias e móveis tornaram a casa mais vazia. Tempo de vida fora transformado em "bens". A partir de agora como você vai investir o seu "tempo de vida"? Mais trabalho? Mais horas na cama e nos corredores de shoppings? É o momento de restabelecer valores e de avaliar os "bancos" nos quais "depositamos" o nosso tempo de vida. Nossas maratonas precisam ser revisadas. Podemos correr menos. Ou um pouco mais quando é realmente necessário correr. Vamos pre(ocupar) menos e ocupar melhor as horas, os minutos e os segundos. Para quê investir tanto em coisas que nos aborrecem? 

Descobrimos com a solidão que "economizar" tempo de vida é "ganhar" mais tempo, significando talvez triplicar os nossos dias, as nossas horas. Muito trabalho pode significar mais dinheiro, mas pode esgotar também nossas horas, nosso tempo de vida. Se o ar se tornou o "símbolo" e a garantia de sobrevivência para todos nós sobretudo nesta pandemia, devemos pensar no que devemos fazer para que não nos falte ar precocemente neste tempo que temos pela frente. Investir o tempo de modo pleno é tomar posse das suas horas, dos seus dias e não delegar aos outros a escolha pelo que lhe faz feliz, pelo que o alimenta e preenche suas "faltas". Neste sentido, urge tornar-se "senhor de si" e saber que há espaços que não são preenchidos da mesma maneira para todos, que há mentes e corações que precisam de doses diferentes de alegria, diversão, amor e afeto. E há vazios que jamais serão preenchidos com coisas e entretenimentos. 

Constatamos que experimentar a máxima "conhece-te a ti mesmo" de fato equivale também a "conhecer o universo". Neste processo de autoconhecimento, compreendemos melhor o outro. Todos experimentamos o medo: de nos contaminar, de perder o trabalho, de perder quem amamos e de perder a própria vida. Sofremos as "faltas" e neste sofrimento, compartilhamos do sofrimento de todo ser humano. Esperamos não apenas sobreviver, mas viver melhor, e inequivocamente é o que todo ser humano espera. 

Se da experimentação com as coisas próximas, sejam elas as tarefas domésticas ou o preparo do seu alimento você aprende mais de si mesmo, da convivência honesta consigo mesmo ou com os outros no mesmo ambiente, você se aproxima de suas limitações e é intimado a reconciliar-se com seu passado e a transformar a sua casa em "lar". Tal experimentação com as coisas "próximas" e o processo de autoconhecimento nos ajudam a entender que na maioria dos casos, nossos pais nos fizeram o melhor que puderam, o melhor que tinham condições de fazer, e na maioria das vezes o melhor que sabiam fazer. E se você ainda convive com eles, os seus pais, aprenda isso o mais rápido no presente: os seus pais fazem o melhor que podem e em muitos casos o melhor que sabem fazer por você. 

Dessa maneira, a ordem para vivermos "confinados" ou "isolados" de modo físico e/ou social veio juntamente com um imperativo: o de que devemos desvelar, ou seja, retirar o véu que tampa nossos olhos e nos impede de crescermos emocionalmente como pessoas, como filhos e filhas, mães e pais, como irmãos. Sair do isolamento requer que passemos por testes e provas, pois em se tratando de um laboratório, precisamos avaliar nossas experimentações para saber se as horas e os dias vividos serão suficientes para alcançarmos um conceito "A" ou uma boa nota e termos condições de investir melhor o nosso tempo de vida. Se conseguirmos transformar nossas "casas" em "lares", onde há diferenças e respeito às diferenças, e principalmente, compreensão das nossas limitações e das limitações dos outros, sairemos melhores desse laboratório pelo menos com a média (nota).  


terça-feira, 15 de outubro de 2013

Professores e Alunos: Super-heróis ou Construtores do Conhecimento?

Por Anderson Araújo
(Para Eni Maria)
Quando comecei a lecionar me surpreendi com várias situações em sala de sala. Não é que hoje não me surpreenda mais, pelo contrário, continuo a me surpreender positivamente e negativamente. Certo dia, durante a aplicação de uma avaliação de filosofia, enquanto "passava" a lista para os alunos assinarem, notei alguns nomes diferentes ao fim da lista. Os nomes se destacavam principalmente pelo fato de serem nomes de super-heróis dos quadrinhos. 

Não vou discursar sobre o que eu "deveria" ter feito, ou o que outros professores teriam feito quanto ao gesto que de certa maneira demonstra "indisciplina" ou "descaso" dos alunos quanto à seriedade de um documento que é a lista de presença - é evidente que deixei isso claro! Apesar de tal gesto ter se manifestado apenas como "brincadeira" dos alunos, lembrei-me das crianças que, como nos ensina o filósofo Nietzsche, levam muito a sério suas brincadeiras. 

Denominar-se como super-herói significa dizer que se tem super-habilidades para lidar com determinadas situações, ou que há necessidade de super-habilidades para lidar com estas situações. Não basta "ser" humano para "ser" aluno, tem que "ser" super-herói. Tem que "ser" super-herói para estudar em escolas públicas, muitas delas pichadas, depredadas e frequentadas pelos invasores que veem nestas escolas uma oportunidade para comercializarem seus produtos e se socializarem. 

Por outro lado, será que é necessário ter super-habilidades para permanecer sentado durante um longo período para estudar, ler, interpretar, pensar, e deixar de lado o namoro, o computador, o futebol e o sofá de casa?

O assunto é complexo porque está em jogo a ressignificação de métodos de estudo, de teorias da educação que não acompanharam as mudanças tecnológicas e culturais, e neste caso cabe também perguntar: a educação deve acompanhar as mudanças tecnológicas? Em que sentido deve haver uma mudança na estrutura curricular, nos métodos de ensino e na estrutura física e material do ensino?

Se há necessidade de super-habilidades para "ser" aluno, vejo igualmente a necessidade de o professor "se tornar" um super-herói para "continuar fazendo o que faz" e, sobretudo, para acompanhar as mudanças, "se virar" para competir com o "twitter", o "facebook", o "youtube" e o "whatsApp".

Escolas "salvam" muitas crianças do tráfico, da morte precoce. Professores ainda carregam um grande significado para muitas crianças e jovens. Professores ainda são modelos para muitas crianças que veem neles, exemplos de pais, de trabalhadores e também de mestres.

Porém, enquanto há o crescimento da demanda por professores que devem "se virar" para competir com as redes sociais, para serem pais, psicólogos, pedagogos, educadores, assistentes sociais e desempenharem tantas outras funções além da construção do conhecimento, não há um crescimento da valorização desta função em nossa sociedade, sobretudo pelos nossos representantes políticos.

Acredito que os meios de comunicação e as redes sociais têm como principal função a de informar, compartilhar notícias, vídeos etc. Evidente que neste processo há também uma divulgação de conhecimento, ou talvez uma "construção" de conhecimento. Mas em geral o que notamos é um excesso de informação. Assim, encontramos na sala de aula, alunos que sabem falar sobre tudo, mas que não têm conhecimento sobre nada. Seus discursos não se sustentam, não conseguem manter um debate porque não leram um livro, não pesquisaram sobre o assunto, não "construíram" o conhecimento, porque receberam informações desenfreadas e irrefletidas através das "redes". 

Com isto, não estou desvalorizando a tecnologia, nem desprezando os instrumentos que muito nos ajudam a compartilhar o conhecimento. Como professor posso utilizar o twitter ou o google em sala de aula para uma pesquisa com meus alunos, e o youtube como fonte e ilustração a respeito de um tema, ou mesmo como complemento das aulas. O que quero enfatizar é a necessidade do professor, a importância do professor, daquele que estudou, se debruçou sobre livros, ideias, autores, teorias, enfim, daquele que se cultivou nas artes, na história e no conhecimento para poder construir, juntamente com seus alunos, o conhecimento. 

O computador é interessante: é fácil mudar de vídeo quando algo nos desagrada, ou trocar de música, ver uma foto ou outra, conversar com pessoas diferentes ao mesmo tempo enquanto vemos televisão. Mas ainda não inventaram algo melhor que o "ser" humano para "mediar" o conhecimento. Como "construir" o conhecimento com apenas alguns caracteres? Como "formar-se" apenas através de notícias de hora em hora comumente divulgadas pelas tv's e redes sociais? Você deseja apenas informar-se, ou também formar-se?

Se há uma desvalorização do professor por parte da nossa política, há também, na mesma medida, uma desvalorização do aluno e do estudante. 

Nesta história, percebo que não se pode intitular nem o professor, nem o aluno como super-herói. Ambos são vítimas de um sistema histórico que desvaloriza o "ser" humano. Precisamos disseminar a importância da construção do conhecimento, e não apenas da construção de coisas, mesmo porque esta última depende da primeira. 

Constata-se que professores e alunos são vítimas. Mas vítimas de quem? Seria fácil mergulhar num processo de vitimização, responsabilizando apenas nossos representantes políticos por isso. Cabe a cada pessoa conscientizar-se das suas escolhas, daquilo que cada um elege para si como prioridade. E, em que medida espera-se e há um desejo legítimo de libertação do oprimido, como escreveu o educador Paulo Freire. E, se o oprimido não se sabe oprimido, como libertá-lo desta opressão? Quem, melhor do que aqueles que ensinam a ler, a escrever, e a interpretar o mundo? 

(Marvel Comics)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nós não estamos prontos

Por Anderson Araújo
É difícil definir exatamente o que estamos sentindo numa época que ocorrem mudanças tão rápidas! Não dá tempo para sentir o presente, nem a dor, nem a alegria. O mesmo telejornal que anuncia a morte de alguém, também anuncia em instantes, o nascimento e a vida. O mesmo programa que incentiva as pessoas a praticarem esportes, também incentiva o consumismo. Já notaram a quantidade de programas relacionados à culinária? Somos pressionados: a comer, a consumir, a correr, a economizar e, a amar. 

Notem que somos "pressionados", intimidados a seguir o "rebanho", ou se quiserem, a "massa". Celulares e carros descartáveis. Precisamos estudar, fazer concursos, bater recordes, superar metas e também amar. Uma sociedade que incentiva o consumo não nos ensina a amar, não nos ensina a sermos "inteiros". Nesta sociedade de revistas eletrônicas somos apenas marionetes, jogados aqui e ali para comprar!

Se nós, adultos, temos "pouco" tempo ou poucas condições de refletirmos sobre tudo o que está ocorrendo, como uma criança poderá, sozinha, pensar sobre as armadilhas da TV, da internet e das redes sociais? Muitos pais estão abandonando seus filhos em casa, "seguros", diante da TV e dos computadores. Não há pessoa alguma ao lado delas para dizer que a propaganda é enganosa, não há ninguém perto delas para dizer que você não vai ficar tão bonita quanto aquela atriz se você usar aquele produto. É o pai, a mãe, ou o "cuidador" que vai situar a criança na vida "como ela é". 

E a "vida como ela é" exige esforço, treino, dedicação, trabalho e transpiração caso você queira comprar coisas, emagrecer, ganhar massa, formar-se e ter uma profissão. A vida é dor e alegria, nascimento e morte. Não somos personagens de desenhos animados: nós nos machucamos quando caímos. Sentimos tristeza. Sofremos com a morte dos outros, sofremos com a dor dos outros ao nosso redor. A dor provoca tristeza, mas é um sentimento que nos aproxima de nós mesmos e daqueles que realmente são significativos em nossas vidas. É importante SENTIR. 

Quantos lutos não vividos, não sentidos... 

Nesta obrigação de sermos felizes a todo custo vamos distanciando-nos de nós mesmos, dos nossos amigos, dos nossos pais e dos nossos filhos. A felicidade que as revistas e os programas de TV mostram é uma felicidade "instantânea", "imediata". O que nos ensinam é que há apenas um modelo de felicidade. E, ao seguir este modelo, você deve consumir. Mas não existe apenas um meio de ser feliz ou um caminho para a felicidade. A sua felicidade deve ser construída, inventada por você. Não há receita, não há modelo. Assim, para uma pessoa a felicidade pode consistir em diversos projetos de vida. Enquanto para outra não é necessário um projeto de vida, mas apenas viver o presente. 

José pode ser feliz cuidando da terra, plantando, colhendo ou capinando um lote. Maria pode ser feliz cozinhando para uma família ou para seus filhos. João encontra a sua felicidade jogando bola com os seus amigos. Luiz se realiza cuidando da segurança da sua cidade. Caetano se sente feliz compondo e cantando. Neste sentido, a felicidade de algumas pessoas consiste em contribuir para a felicidade dos outros, ou não. O mais importante é perceber que cada pessoa é livre para encontrar o seu caminho, para encontrar a sua felicidade, seja na TV, no futebol, na empresa ou na escola. E que se é livre mesmo quando escolhemos trilhar os caminhos que os outros fizeram para nós. 

Por isso o maior desafio para todos é, antes de educar o outro, educar-se. Educar-se significa também estar preparado para perceber que não estamos "prontos". Estamos "em construção" constante. Não somos perfeitos. Somos suscetíveis e influenciáveis. Daí a necessidade de abrir a mente para outras perspectivas, para novas leituras, viagens e conhecimentos. Se estamos "em construção", estamos aprendendo a amar também. Sentimos raiva, dor, amor, alegria e tristeza. Decepcionamo-nos e decepcionamos os outros. Mas podemos nos tornar pessoas melhores. Conscientizar-se disso pode tornar a construção mais forte. Saber disso pode nos ajudar a perceber as pressões externas e a fugir delas. Conscientizar-se disso pode nos ensinar a amar. 

É neste processo de formação de si mesmo que o pai, a mãe e o educador vão se tornar "preparados" para educar. O carinho, o amor e a presença dos pais tornam-se mais importantes do que o presente. Tomar sorvete na praça é mais barato. Além disso, na praça você está mais presente do que no shopping. Assistir ao pôr-do-sol leva você para dentro de si mesmo. Ir ao shopping pode ser divertido mas leva você para fora de si mesmo. Consumir "doses" de felicidade custa caro, enquanto não é necessário pagar para amar.




quarta-feira, 2 de junho de 2010

Mudar dói, não mudar dói muito

Por Anderson Araújo

É do filósofo grego, Heráclito de Éfeso, a célebre frase: "Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio, nós somos e não somos". Assim como as águas do rio mudam constantemente, nós também sofremos constantes transformações e mudanças. É a ideia de que todas as coisas estão mudando sempre, nunca permanecem as mesmas. Mesmo sutis, estes movimentos ou transformações, ocorrem frequentemente.

A ciência e a física demonstram por meio de experimentos que a vida e todas as coisas estão sujeitas ao devir, ou seja, às mudanças. Geralmente as mudanças não são confortáveis. Mudar de casa, de escola e até mesmo de ideias sobre si mesmo e sobre o mundo pode trazer muita insegurança, mas pode trazer também amadurecimento.

Mudanças exigem adaptações, novos saberes e alargamento dos nossos limites, ou seja, é uma oportunidade para driblar ou superar alguma dificuldade. Cada pessoa possui uma identidade, ou caráter (ideia de algo impresso que não muda), por isso dizemos que temos nossos valores e princípios. Mas sempre existe um espaço para transformações, sobretudo daquilo que nos impede de avançarmos em nossos projetos.

Gabriel, "O pensador", tem uma frase que diz: "Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo". Algumas pessoas reclamam da falta de um bom emprego; outras dizem que não são inteligentes, mas não trabalham para mudar, pelo contrário, lutam para continuar as mesmas. É triste perceber que estas pessoas paralisam suas vidas, devido ao medo das mudanças, ou ao comodismo dos lugares já conhecidos.

Neste sentido, penso que não há como fugir das mudanças, pois são próprias de tudo que vive e mesmo do que é inorgânico. Às vezes adiamos algumas necessárias transformações. Mas, como canta o compositor Oswaldo Montenegro: "hoje sei que mudar dói, mas não mudar dói muito".

terça-feira, 25 de maio de 2010

Na Natureza Selvagem

Por Anderson Araújo


O melhor filme que já vi até hoje. Já vi quase 10 vezes. O filme foi indicado pela amiga Júnia há 2 anos quando ainda estava em cartaz no cinema.

Você tem vontade de realizar grandes viagens? Ou de tomar importantes e necessárias decisões na sua vida? Falta alegria ou sobra alegria em sua vida? Em Na Natureza Selvagem, não só fazemos uma viagem ao Alaska com o jovem Christopher McCandless, ou "Alex", mas uma viagem em nós mesmos.

Medos, sonhos, angústias, família e... a busca pela felicidade! Libertador! Arrebatador! É difícil continuar o mesmo depois deste filme! Em breve, depois de vê-lo pela décima vez, postarei um texto aqui. Confira o trailer!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Filosofar para alargar os nossos horizontes

Por Anderson Araújo

“Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”, nos diz o filósofo Sócrates. Ora, filosofar é justamente isso, refletir sobre si mesmo e sobre o mundo. Mas por qual razão? A etimologia da palavra filosofia pode nos ajudar a responder a esta pergunta. Filos, termo grego que significa amizade. Sofia, que significa sabedoria. O homem filosofa porque tem desejo de conhecer e possui amor pelo conhecimento.

O homem pensa sobre si mesmo porque deseja conhecer-se melhor. E o mesmo se dá no seu pensamento sobre os seus semelhantes e sobre o mundo a sua volta. Ele pensa sobre eles porque deseja conhecê-los melhor.

O filósofo faz perguntas porque ama o conhecimento. O filósofo duvida porque ama as distinções. Às vezes, pode parecer que o discurso filosófico não passa de um discurso vazio, sem sentido. Pois, são tantas perguntas e tantas respostas... E todas as respostas vão sendo debatidas por outros filósofos. Muitas vezes temos até preguiça de filosofar, porque queremos entender tudo rapidamente e dar, apressadamente, a nossa opinião sobre tudo.

Mas a filosofia também não se constrói com opiniões? Sim e Não. Porque as opiniões são, de um lado, afirmações ou negações apressadas, sem fundamento. E por outro lado, elas podem se manifestar como algo espontâneo, criativo, o que nos ajuda a filosofar. Por isso, qualquer teoria filosófica deve ser discutida entre os filósofos. Construímos pensamentos filosóficos a partir de opiniões, mas eles não são simples opiniões.

Assim, filosofar é submeter as nossas opiniões e os nossos pensamentos ao debate, seja em sala de aula, em casa ou numa roda de amigos. Filosofar é algo eminentemente humano, capaz de alargar, ampliar os nossos horizontes.