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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Mineirão, Futebol e Educação

Por Anderson Araújo
O Oswaldo Montenegro disse em uma palestra que brasileiro entende de futebol porque acompanha futebol. Se acompanhasse a política e a economia também entenderia de política e economia. Complemento: analfabetos, pessoas com pouca escolaridade, graduados, doutores etc, todos não apenas acompanham futebol, mas são apaixonados por futebol. É verdade que esta paixão possui gradações: alguns se apaixonam, matam e morrem pela paixão, outros apenas são fiéis, cúmplices da sua paixão, e este último 'tipo' de paixão já seria bastante interessante e saudável.

Há algum tempo me sinto incomodado com os anúncios dos projetos para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Há algum tempo me sinto apaixonado pelo futebol. Há algum tempo me sinto também frustrado com o futebol. Temos "o Brasil em obras" voltado para um evento mundial que é a Copa. Tais obras certamente serão benéficas para a população brasileira: expansão de metrôs, rodovias, criação e reforma de estádios etc.

Mas me preocupo muito e me envergonho quando vejo empresas privadas lucrando escandalosamente com um espetáculo mundial que ocorrerá no Brasil. Rodovias e estádios de futebol é muito pouco para um povo tão carente e sofrido como o povo brasileiro. Cada lar de família brasileira já deve ter visto um parente ou amigo morrer por falta de atendimento ou tratamento médico. Muitos brasileiros sofrem com passagens caras e viagens longas no transporte público. E a educação? Parece que falar em educação no Brasil é um mantra que anestesia ainda mais o povo brasileiro e que se tornou piada nos ouvidos dos nossos parlamentares.

Já escrevi em outros textos que futebol liberta, educa, restaura muita gente. Muita criança só vai à escola por causa do futebol. Muita criança só estuda porque precisa ter boas notas para continuar na "escolinha" de futebol. 

Em Minas Gerais há três grandes Clubes de futebol: AméricaAtlético e Cruzeiro. Grande rivalidade, sobretudo entre atleticanos e cruzeirenses, cada torcida tem o seu jeito peculiar de torcer e falar do seu time. Apesar de possuírem as maiores torcidas e mais títulos que o América, nem o galo e nem a raposa possui um estádio. O Galo joga na "Arena" Independência, e o Cruzeiro vai jogar no Mineirão, ambos por tempo determinado, determinado por empresas privadas! É verdade que a Arena Independência pertence ao América, mas é administrado por uma empresa privada. 

Há alguns dias a imprensa mineira vem debatendo um problema: - Se os clássicos no Mineirão serão de torcida única ou de torcida dupla.  O problema não é simples. Não é apenas uma questão de contrato ou de segurança. Hoje eu ouvi o presidente do Clube Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, em entrevista ao repórter Bruno Azevedo, na rádio Itatiaia falar a respeito desse assunto. Idiossincraticamente, o presidente Kalil confirmou o que me incomoda: "O mineirão não é dos mineiros. O Atlético e o Cruzeiro são dos mineiros. O mineirão é de uma empresa privada que quer liquidar o futebol mineiro"

O Alexandre Kalil disse em tom de desabafo sobretudo para mostrar que não é simplesmente uma questão de "quem manda aqui é o Atlético ou é o Cruzeiro", mas sim uma questão política que envolve muito dinheiro que não será nem dos Clubes Mineiros nem do governo de Minas Gerais, mas da empresa Minas Arena. Nesse sentido, Kalil disse: "O Mineirão é o orgulho de uma construtora, da Minas Arena, não é orgulho dos Mineiros... o Mineirão é de uma empresa privada, não é dos Mineiros".

Como torcedor quero expressar o que penso a respeito do problema torcida única ou dupla. Primeiramente sobre o Independência: É IMPOSSÍVEL um clássico Atlético X Cruzeiro de torcida única. Não há segurança no trajeto do centro da cidade até o estádio, além de a localização do estádio ser mais favorável para o embate entre torcidas rivais, principalmente porque o seu entorno é tomado por residências. O metrô que seria o meio mais fácil de acesso ao estádio não comportaria duas torcidas em dia de clássico, certamente haveria tragédia! Quanto ao Mineirão, tradicionalmente comportou duas torcidas em dias de clássico. Para isso demanda muito trabalho, esforço, planejamento e estratégia por parte da polícia, do governo e dos dirigentes dos Clubes para "garantir" a paz entre os torcedores.

Vou anestesiar os ouvidos de alguns e soltar uma piada nos ouvidos de outros. Mas penso que o problema não é a segurança, mas a EDUCAÇÃO. Muitos torcedores esquecem-se de que são humanos e de que os torcedores rivais também são humanos em dias de clássico. 

Uma amiga me disse que o Lula "deu" a comida para o povo brasileiro ao tirar milhares da miséria. E agora é a vez da Dilma de "dar" educação. Se não deram isso efetivamente, independentemente da nossa empatia por estas personalidades, com certeza deram passos significativos para o fim da miséria e o crescimento das Universidades. Estudar de "barriga vazia" não dá. O que você vai pensar com fome? Em política, respeito, cidadania? Não, você vai pensar apenas em pão, carne, bolo etc! O brasileiro está comendo mais e melhor. Houve um crescimento das vagas nas Universidades Federais. Mas não apenas a Dilma, todos os nossos políticos precisam se preocupar ainda mais com as escolas e com a educação em geral, da creche ao ensino superior. Mais livro para os alunos, mais escolas, mais formação para os professores, e um salário que não HUMILHE os educadores - e quando isso estiver em primeiro lugar - talvez será mais fácil falar em segurança nos dias de clássico, será mais fácil "ensinar" a consumir, ensinar a votar, ensinar a comer, enfim, ensinar a RESPEITAR! 

O Kalil me incomodou ainda mais. Falar que o MINEIRÃO não é dos MINEIROS é falar que o BRASIL não é dos BRASILEIROS. Que os dirigentes do futebol mineiro, nossos parlamentares e o governador de MG resgatem o que pertence aos mineiros! 


terça-feira, 11 de maio de 2010

A Consciência Ética em Gandhi e o Método da Não-violência

Por Anderson Araújo


A história nos revela exemplos de homens que lutaram pela paz no mundo e pela liberdade humana. Gandhi se destaca na história por seu amor e dedicação à vida, por seu cuidado com todas as coisas que existem no mundo. Podemos dizer que Gandhi possuía uma consciência ética.

Gandhi, em princípio, lutou pela independência da Índia. É o que podemos falar, resumidamente, da vida deste homem. Porém, ao lutar pela independência da Índia, Gandhi o fez também pela independência do homem inglês que explorava a Índia, pela independência do homem europeu, enfim, pela independência do ser humano!

Mas, Gandhi também teria lutado pela independência dos exploradores da Índia, isto é, pelos ingleses? Conhecemos a história e sabemos que Gandhi lutara tão somente pela independência da Índia. Mas, o método, isto é, o caminho que ele utilizou para lutar pela independência do seu país é marcado por uma preocupação não só com o seu povo, os indianos, mas com o ser humano. O objetivo de Gandhi nesta luta foi a liberdade e a paz para o ser humano, e não apenas para o seu povo.

O caminho utilizado por Gandhi: a não-violência. Não-violência não significa passividade, ou resignação, mas uma luta mais ativa que a luta armada. Porque só homens disciplinados, de bons hábitos, conhecedores de si mesmos e dos seus ideais e, portanto, da sua causa, podem utilizar o método da não-violência. Gandhi sabia que uma boa ação, realizada uma única vez não faria diferença na vida do seu povo. É preciso ser bom sempre, respeitar todos os dias a natureza e a vida; mostrar-se indignado todos os dias com a mentira e o egoísmo e, certamente o mais importante: é preciso dialogar sempre!

Gandhi ensinou a virtude para o mundo inteiro, ensinou-nos como podemos ser livres e como podemos cuidar da morada humana, isto é, como podemos ser éticos. Porque o mundo, que é a morada comum a todos os homens, não depende apenas do gesto de uma pessoa para que ele continue habitável, mas do esforço de todos os seres humanos, de gestos simples; jogar uma casca de banana na lixeira, dizer um bom dia ao outro e pedir perdão aos nossos pais, aos nossos filhos, e aos nossos amigos.

Há um provérbio que diz: Não é a chuva forte que nos dá uma boa colheita, mas aquela chuva que cai mansinha todos os dias sobre os nossos campos. É urgente que sigamos o exemplo de Gandhi, pois só teremos uma boa colheita, ou seja, só colheremos a paz e a liberdade se regarmos todos os dias as nossas vidas com diálogo e boas ações.

O filósofo Michael Foucault diz que não existe o poder. Mas, relações de poder. Porque o poder circula entre as pessoas. E é o que caracteriza a liberdade. Assim, por exemplo, num diálogo, quando escutamos, silenciosamente, o que o outro fala, damos ao outro o poder de falar.

Hannah Arendt, também filósofa, nos ensina que, se o poder foi tomado por uma pessoa, não há poder, mas violência. Porque o poder não pode ser tomado, mas dado. Assim, quando elegemos um representante, damos à outra pessoa o poder de nos representar. Arendt escreve: “A forma extrema de poder é o todos contra um. A forma extrema da violência é o um contra todos (...) A violência de um contra todos nunca é possível sem armas. A violência distingue-se por seu caráter instrumental”.(Hannah Arendt, Sobre a Violência).

Assim, aprendemos com os filósofos que, quando agimos com violência verbal ou física, estamos distanciando-nos do poder, e afastando-nos do que nos faz humanos; da capacidade de nos expressarmos através do diálogo. Gandhi também nos ensina isso, mas vai além. Mahatma Gandhi, “grande alma”, como foi chamado, nos ensina que um ato violento é injustificável, e que um bom soldado é um homem virtuoso que se cultiva com bons hábitos e pratica boas ações.

“Considero-me um soldado, mas um soldado da paz”. (Gandhi)

HISTÓRIA

Para quem tiver interesse em conhecer melhor a vida de Gandhi:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mahatma_Gandhi