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domingo, 13 de setembro de 2020

Sobre envelhecer e ser jovem

Anderson Manuel de Araújo

É atribuído ao filósofo Arthur Schopenhauer o pensamento: "Os primeiros quarenta anos da vida nos dão o texto e os trinta seguintes, o comentário". Desse pensamento podemos refletir sobre alguns aspectos. Inferimos que os primeiros quarenta anos da nossa vida seriam dedicados à aprendizagem.  Já nos outros trinta anos de vida teríamos condições de já tecer comentários, isso é claro, se e somente se, tivermos aprendido as lições das primeiras quatro décadas de vida.

É claro que não deveríamos fazer uma leitura literal do pensamento. Há lições que muitas jovens aprenderam e que muitas pessoas de sessenta ou de oitenta morreram sem tê-las aprendido. O fato é que se leva muito tempo para aprender algumas lições. Porém, aquele que estiver em condições de proferir tal sentença, também já estará na posição de afirmar que o tempo “passa muito rápido” e que gostaria de ter algumas oportunidades para ter outra sensação dos primeiros quarenta anos de vida. Nota-se o drama de chegar aos quarenta anos de vida: estar de posse das principais lições em mãos por já ter vivido algumas décadas e não usufruir do mesmo “tempo”, do mesmo “espaço” e mesmo “corpo” de que usufruíra no passado.

Apesar disso, é comum ouvirmos pessoas graduadas e que já estariam nesta pós-graduação da vida, afirmarem que não trocariam o momento em que se encontram, seja aos 45, 50 ou 60 pelos momentos dos seus 18, 20 ou 25 anos.  

Na juventude há muita beleza e tempo para lidar com o que não nos acostumamos e denominamos de “feio”. Há também necessidade de conhecer muitas pessoas e com elas viver todo o resto da vida. Há muitas paixões e também muitas dores e incompreensões, consigo mesmo, com o outro, o mundo e Deus. Nestes primeiros anos, há muita vontade de mudar o mundo, fazer a revolução e também justiça. Nestes anos, ou você pensou em ficar milionário ou pensou em viver uma vida sem que dinheiro, poder e bens tomassem conta de você. Pouco tempo de vida para oscilar entre dois ideais: capitalista e altruísta.

Aos 20 anos inicia-se uma corrida quase que sem reflexão em busca da realização dos sonhos. Estudar e trabalhar, participar de reuniões, congressos e eventos que alimentam crenças. Sem saber, aos vinte anos, tem-se apenas 10 anos para concretização das escolhas, estabelecer-se e abrir a porta “certa”, sendo que esta porta ou será facilitadora ou criará obstáculos ao longo do caminho a ser trilhado.  

Mais uma vez, dramaticamente pensando, não há como ter um conhecimento certo e seguro sobre a escolha que se faz aos vinte anos. E na mesma direção, os quarenta anos não garantem que se a escolha tivesse sido outra aos vinte, as conquistas e lições do caminho teriam sido mais exitosas e felizes. Pois o drama se intensifica quando o ser humano compreende que só houve "lição" porque percorrera um caminho e não outro; sem este percurso não haveria estas lições. Constatar o drama revela esta fatalidade do “existir”, mas produz “alívio” na existência.

Um olhar afirmativo sobre a existência é capaz de reinventar-se, curar-se. Há tanta busca pela cura das dores da alma. Aquelas dores provocadas por frustrações, derrotas, decepções e “distâncias”. Olhar afirmativamente para os próximos anos da vida é conseguir superar todas estas desditas e continuar a viver apesar de tudo que fora deixado para trás ou que não fora cumprido.

É fato que compreendemos a “juventude” como aquele espaço de tempo no qual há muito vigor, disposição, muitos sonhos e aquela vontade sobrenatural de fazer a revolução no mundo; ou pelo menos vontade de participar dela. Entretanto, a reconciliação consigo ocorre quando este conceito de “juventude” é reconstruído e ocorre uma mudança de perspectivas. Ser “jovem” deixa de ser visto apenas como manifestação de vigor físico, e passa a ser compreendido como uma postura marcada pela capacidade de estabelecer para si mesmo novas metas, novos sonhos e principalmente, pela quantidade de “esperança” que há dentro de si, em relação a si mesmo, e bem menos em relação aos outros.

O envelhecimento ocorre definitivamente quando há a morte total da esperança. Por isso há tantos jovens “velhos” e muitos velhos “jovens”. 

Esperar algo do outro é saudável, mas há muitas chances de frustração. Já esperar algo de si mesmo é o mesmo que alimentar constantemente uma fogueira e jamais deixá-la apagar, mesmo que situações, pessoas e o tempo insistam vez ou outra, em jogar água nesta fogueira; é o esforço para mantê-la acesa que nos mantém com aquela jovialidade tão desejável.

A vida é um texto cheio de comentários, rasuras, aspas, parênteses. Os primeiros quarenta anos são marcados tanto por interrogações quanto por certezas. Os demais possuem mais exclamações, mas também mais dúvidas. Se havia tantas certezas, havia a disposição para a revolução. Nos outros trinta anos seguintes as certezas dão lugar às máximas, às lições e às citações que reproduzem um tempo “vivido” no passado e não um tempo a ser “vivido” no futuro.  Por isso, pode-se dizer que há certezas que produzem falsas seguranças. E há dúvidas que podem parecer desestabilizar, mas que na verdade possibilitam a conquista do que chamamos de “sabedoria”.

Se não há mais o desejo de revolução, na idade posterior aos quarenta deve haver o desejo de evolução. A busca abrupta, muitas vezes irrefletida e precoce pelas mudanças dá lugar à caminhada mais consciente dos limites, e sobretudo do “tempo” que há para cada coisa. Não se trata de perder a vontade de mudar e de fazer parte da própria mudança. Trata-se de desejar mais do que nunca a mudança, mas de modo natural, e por "natural" entende-se aqui um transcorrer de coisas e acontecimentos tal qual a natureza: assim como o plantio de qualquer semente exige o cuidado e o tempo, é sinal de evolução ter a consciência de que há mudanças que precisam de cuidado e de “tempo” para acontecerem.

Por fim, estar em condições de tecer os comentários sobre a vida é ter uma forma de esperança, serena e sábia e dizer como o filósofo Nietzsche: “da enfermidade da grave suspeita voltamos renascidos, de pele mudada, mais suscetíveis, mais maldosos, com gosto mais sutil para a alegria, com língua mais delicada para todas as coisas boas, com sentidos mais risonhos, com uma segunda, mais perigosa inocência na alegria, ao mesmo tempo mais infantis e cem vezes mais refinados do que jamais fôramos antes.”


sábado, 25 de abril de 2020

Nem toda casa é um lar

"A vida é o que acontece enquanto você faz outros planos". John Lennon

Anderson Manuel de Araújo

O isolamento social em tempos de corona vírus é capaz de nos proporcionar infinitas sensações. Isolar-se em casa, situação imposta a profissionais que não exercem atividades "essenciais" faz com que cada pessoa mergulhe dentro de si e visite com mais frequência o seu próprio passado, suas escolhas e estradas percorridas até o presente. Uma sociedade habituada a falar, fazer, construir, agir e reagir foi obrigada a calar, parar, pensar e refletir sobre si mesma. Muitas descobertas, dentre elas a de que nem toda casa é um lar. Além disso, mais do que nunca, tornou-se fundamental saber dominar ou se quisermos, "adestrar" o sentimento de medo. E mais desafios também nos foram impostos: as tarefas domésticas! Tudo isso não será a prescrição "médica" de dias e horas para a vivência de um "laboratório de experimentações" que poderá nos tornar mais humanos?

A solidão imposta pelo isolamento físico nos traz à memória a máxima socrática "Conhece-te a ti mesmo": mergulhe dentro de si mesmo, conheça suas forças e suas fraquezas, jogue luz onde há sombras; reveja seus passos e avalie todos as suas ações e reações que fizeram com que chegasse no lugar onde se encontra. Onde você estava e não está mais quando tudo "parou"? O que estava fazendo e não terminou de fazer? O que deseja fazer e agora não é possível fazer e quem sabe, a partir de agora será impossível ou mesmo "sem sentido" fazer? 

Vejamos por uma perspectiva positiva: o presente nunca foi tão pleno como o temos vivido. Quanta vida já vivida sem "sentir" o tempo, sem sentir as horas... Ainda que cause angústia em muitos, viver as horas, os minutos e os segundos do despertar ao adormecer faz deste "laboratório" uma experimentação da nossa humanidade, tornando-nos mais próximos de nós mesmos. Não encontramos nem igrejas, nem estádios e nem shoppings abertos para nos salvar, distrair ou mesmo preencher nossa "sede" de alguma coisa.

Temos sede e fome: o isolamento evidenciou nossas "faltas". Sede de afeto, atenção e cuidado. Fome de amor, arte e segurança. Sextas e segundas-feiras nunca foram tão semelhantes. "Sextou" deixou de ser proclamado por todos aqueles que ao final de uma semana de muito trabalho buscam momentos de lazer e relaxamento. Lemos mais livros, passamos mais tempo navegando na internet, mas sentimos falta da sala de aula, do escritório, do café no intervalo com os colegas de trabalho ou da escola e da faculdade. Fazem-nos falta: o abraço dos avós, o olhar misericordioso dos nossos amigos e a muitos, as cerimônias que nos conectam ou nos tornam mais íntimos de Deus ou do que cada qual entende como sagrado.

Descobrimos que um "aglomerado de pessoas" na maioria das vezes não corresponde ao que denominamos de "família" e que nem toda casa ou lugar pode ser classificado como "lar". A panela vazia, o banheiro sujo e a sala preenchida constantemente por pessoas podem nos fazer questionar "no quê" nos tornamos; conhecidos ou desconhecidos uns para os outros? Tornamo-nos escravos ou escravizamos? Tornamo-nos irmãos? Enquanto alguns se acostumaram a ser servidos, notamos que outros se habituaram a servir. Eis o momento da experimentação que consiste em abandonar os postos "preestabelecidos" e participar do "fazer" doméstico: preparar nosso alimento, lavar a privada e a panela vazia, recolher o lixo; tarefas que certamente nos aproximam da nossa condição humana!

A "prescrição" para o período: respirar fundo, alimentar-se bem, tomar banho de sol, estabelecer horário para leituras, tarefas domésticas, sessões de cinema e "lives", tudo em casa. Muitas aprendizagens neste isolamento não devem ser esquecidas quando a livre circulação nos for novamente prescrita, e outras devem continuar sendo experimentadas posteriormente. Primeiro, precisamos nos conscientizar de que o olhar do outro nos resgata das sombras que o olhar viciado sobre nosso próprio ego produz, logo, "ser visto" já é uma maneira de receber luz, afeto, de existir (de ser com os outros), em outras palavras, podemos dizer que o olhar do outro e sobretudo dos nossos amigos nos ilumina. Olhar de pai, mãe, avô e avó? Estes já nos fazem crescer e tornam o nosso futuro "bendito" (bem falado). Também não menos importante, deve-se ter sempre em mente que cuidar de alguém é tão bom quanto receber cuidados. Esquecemo-nos da "ética do cuidado". A corrida para o trabalho e para nossos lugares "seguros", seja dentro do carro escuro ou no ônibus com nossos fones no ouvido produziu uma sociedade de zumbis que precisam de anestesias para percorrerem todos os dias os mesmos trajetos. A ética do cuidado desperta o nosso olhar para o outro (desconhecido) que precisa de uma palavra, de um sorriso, de pão ou simplesmente, de ser escutado. 

A solidão é mestra: fazer compras não nos torna mais amados, nem reconhecidos. Mais tecnologia não faz de nós pessoas mais felizes e plenas. Roupas, jóias e móveis tornaram a casa mais vazia. Tempo de vida fora transformado em "bens". A partir de agora como você vai investir o seu "tempo de vida"? Mais trabalho? Mais horas na cama e nos corredores de shoppings? É o momento de restabelecer valores e de avaliar os "bancos" nos quais "depositamos" o nosso tempo de vida. Nossas maratonas precisam ser revisadas. Podemos correr menos. Ou um pouco mais quando é realmente necessário correr. Vamos pre(ocupar) menos e ocupar melhor as horas, os minutos e os segundos. Para quê investir tanto em coisas que nos aborrecem? 

Descobrimos com a solidão que "economizar" tempo de vida é "ganhar" mais tempo, significando talvez triplicar os nossos dias, as nossas horas. Muito trabalho pode significar mais dinheiro, mas pode esgotar também nossas horas, nosso tempo de vida. Se o ar se tornou o "símbolo" e a garantia de sobrevivência para todos nós sobretudo nesta pandemia, devemos pensar no que devemos fazer para que não nos falte ar precocemente neste tempo que temos pela frente. Investir o tempo de modo pleno é tomar posse das suas horas, dos seus dias e não delegar aos outros a escolha pelo que lhe faz feliz, pelo que o alimenta e preenche suas "faltas". Neste sentido, urge tornar-se "senhor de si" e saber que há espaços que não são preenchidos da mesma maneira para todos, que há mentes e corações que precisam de doses diferentes de alegria, diversão, amor e afeto. E há vazios que jamais serão preenchidos com coisas e entretenimentos. 

Constatamos que experimentar a máxima "conhece-te a ti mesmo" de fato equivale também a "conhecer o universo". Neste processo de autoconhecimento, compreendemos melhor o outro. Todos experimentamos o medo: de nos contaminar, de perder o trabalho, de perder quem amamos e de perder a própria vida. Sofremos as "faltas" e neste sofrimento, compartilhamos do sofrimento de todo ser humano. Esperamos não apenas sobreviver, mas viver melhor, e inequivocamente é o que todo ser humano espera. 

Se da experimentação com as coisas próximas, sejam elas as tarefas domésticas ou o preparo do seu alimento você aprende mais de si mesmo, da convivência honesta consigo mesmo ou com os outros no mesmo ambiente, você se aproxima de suas limitações e é intimado a reconciliar-se com seu passado e a transformar a sua casa em "lar". Tal experimentação com as coisas "próximas" e o processo de autoconhecimento nos ajudam a entender que na maioria dos casos, nossos pais nos fizeram o melhor que puderam, o melhor que tinham condições de fazer, e na maioria das vezes o melhor que sabiam fazer. E se você ainda convive com eles, os seus pais, aprenda isso o mais rápido no presente: os seus pais fazem o melhor que podem e em muitos casos o melhor que sabem fazer por você. 

Dessa maneira, a ordem para vivermos "confinados" ou "isolados" de modo físico e/ou social veio juntamente com um imperativo: o de que devemos desvelar, ou seja, retirar o véu que tampa nossos olhos e nos impede de crescermos emocionalmente como pessoas, como filhos e filhas, mães e pais, como irmãos. Sair do isolamento requer que passemos por testes e provas, pois em se tratando de um laboratório, precisamos avaliar nossas experimentações para saber se as horas e os dias vividos serão suficientes para alcançarmos um conceito "A" ou uma boa nota e termos condições de investir melhor o nosso tempo de vida. Se conseguirmos transformar nossas "casas" em "lares", onde há diferenças e respeito às diferenças, e principalmente, compreensão das nossas limitações e das limitações dos outros, sairemos melhores desse laboratório pelo menos com a média (nota).  


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O que passou, calou. O que virá, dirá!

Por Anderson Araújo
(Para Eli Maria)
As escolhas que fizemos no passado influenciam o presente e influenciarão o nosso futuro. Assim como muitas escolhas que outros fizeram sem o nosso assentimento ou acontecimentos que não dependeram de nossa vontade. Há fatos que têm um tempo próprio para "chegarem" e também para "passarem", quer dizer, terminarem, morrerem! Neste sentido podemos exclamar: ainda bem que passaram, que acabaram!

De um lado, lamentamos pelas vivências prazerosas e alegres que "passam" rapidamente. De outro, torcemos para que eventos "negativos" ou infelizes "passem" depressa. Assim, o que poderíamos denominar de "perfeição dos eventos", consiste nesta característica que é também própria da vida: cada coisa tem um tempo certo, um tempo "oportuno" para acontecer.

Certamente, é sinal de sabedoria conscientizar-se de que algumas coisas, eventos e até relacionamentos, morreram, passaram! A postura inversa seria continuar acreditando que certas coisas continuam existindo, e pior, insistir para que pessoas que se relacionaram conosco em outros momentos no passado tenham as mesmas atitudes e compartilhem conosco das mesmas ideias. Esquecemo-nos de que mudamos, assim como nossos amigos e as pessoas ao nosso redor. 

Enquanto conscientizar-se do "fim" ou das "mudanças" é sinal de sabedoria, a incapacidade de perceber que as coisas "passaram", produz sofrimento. Não há mais cumplicidade, não há mais palavras, não há mais "comunhão", não há mais amor. Sofre tanto aquele que insiste em vivenciar o mesmo sentimento, quanto o outro que é obrigado a expressar um sentimento que já não possui mais.

Há eventos que nos fizeram sofrer, chorar. Se já choramos e sofremos, resta-nos abandoná-los lá no passado. Se ainda continuam "falando" conosco e nos "provocando", precisamos "calá-los", pois o que passou, calou! Logo, se o que passou, ainda não calou, certamente continuarei ouvindo "vozes" e "fantasmas", chorando por algo que já tinha me causado sofrimento no passado. Estes "fantasmas" vão se tornando um peso desnecessário em nossas costas, contribuindo tão somente para um atraso em nossos projetos e sonhos. 

Os compositores Carlinhos Brown e Marisa Monte deram o título "Pra ser sincero" para a canção que traz os versos "e o que passou, calou. E o que virá, dirá". Podemos dizer que os que são sinceros têm a coragem de "calar" o que passou e são sensíveis para "escutar" o que virá no futuro. 

O que passou, precisa calar, pois somente assim poderá "vir" algo para "dizer" mais coisas em nossa vida, e para, principalmente, enriquecer a nossa vida. Portanto, acontecimentos ruins e também nossas vivências felizes precisam "silenciar" porque já "passaram". Situações de sofrimento ou de angústia devem ser lembradas somente para nos alertar sobre o risco de cometermos os mesmos erros; e os momentos felizes, estes devem ser lembrados com alegria, mas com sabedoria para refletir que foram e continuarão sendo importantes para nos motivarem a olhar para a frente, vivendo o presente, acreditando que o que virá, também dirá!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Que é o Tempo?

Por Anderson Araújo

Santo Agostinho, um filósofo cristão, elabora um pensamento divertido e interessante sobre o TEMPO. Primeiramente, Agostinho se faz a seguinte pergunta: “O que fazia Deus antes de criar o céu e a terra?” Através dessa pergunta o filósofo chegou a soluções geniais, que se tornaram muito famosas.


Antes de Deus criar o céu e a terra não havia tempo e, portanto, não se pode falar de um “antes” antes da criação do tempo. O tempo é criação de Deus e, por isso, a pergunta proposta não tem sentido. Mas, vamos insistir com Agostinho, então, o que é o tempo?


O tempo implica passado, presente e futuro. Mas o passado não é mais e o futuro não é ainda. E o presente, diz Agostinho, “se fosse sempre e não transcorresse para o passado, não seria mais tempo, mas eternidade”.


Para Agostinho, o tempo existe na mente do homem, porque é na mente do homem que se mantém presentes tanto o passado como o presente e o futuro. E de qualquer forma, é na nossa mente que se encontram esses três tempos, que não são vistos em outra parte: o presente do passado, que é a memória; o presente do presente, isto é, a intuição; o presente do futuro, ou seja, a espera.


Os sábios e os filósofos nos ensinam que a qualidade de vida depende da nossa capacidade de aproveitar o tempo. Ou seja, vive melhor quem sabe aproveitar o seu tempo.


Os antigos diziam uma frase em latim muito interessante sobre isso: “Carpe diem”, que significa: “Aproveite o seu dia”, “Aproveite o seu tempo”. Mas aproveitar o tempo, ou aproveitar o dia, é fazer sempre o que gostamos? Parece-me que aproveitar o tempo é fazer o que é necessário fazer em cada momento. Pois, a pessoa que deixa tudo para a última hora sofre tentando manipular o tempo. Logo, não vive bem. Carpe diem!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Tempo

Momento singular! Coincidência? No momento que fiz o registro, um bicho que nos faz pensar sobre o TEMPO...

Casa de Retiro São Vicente de Paulo, em Igarapé. Outubro de 2008.