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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A Força da Natureza

Por Anderson Araújo

Eu gostaria de pensar a vida a partir de um filme que vi pela primeira vez há dois anos. Acabo de vê-lo pela décima vez. E quero vê-lo ainda mais umas outras dez vezes pelo menos. Trata-se do filme (*)"Na Natureza Selvagem". Guardo ainda a mensagem que a minha amiga Júnia me enviou há dois anos quando acabara de ver o filme: "Anderson, assista ao filme 'Na Natureza Selvagem'; forte e impactante".

Não quero contar a história do filme. Quero compartilhar o que aprendi com a história real do jovem Christopher McCandless ou "Alexander Supertramp".

Há muito tempo venho observando o comportamento das pessoas no que diz respeito ao dinheiro. Famílias se desfazem e se destroem quando o assunto é dinheiro: inventário, partilha, herança ou doença. No filme, o jovem queima o dinheiro. Ao fazê-lo parece deixar para trás todo peso, ressentimento e amarras porque "o dinheiro deixa as pessoas cautelosas". Suspeita-se de todos e de tudo porque podem querer o meu dinheiro ou porque não querem gastar o seu dinheiro. Por causa disso deixamos de viver a vida plenamente: deixamos de sentir a natureza e de vivenciar afetos. E quem sabe na velhice poderemos concluir que "gostávamos mais dos nossos dias quando não tínhamos um tostão".

O dinheiro não pesa somente o bolso, mas também o coração.

Como ratos vamos juntando, acumulando coisas. E as coisas vêm com os ressentimentos, as mágoas e os desafetos. Ser socialista? Pode ser mais saudável. Porém, mais importante do que isso seria aprender a viver com o que nos é necessário. Porque com o tempo nota-se que "quem tem mais do que precisa, precisa também de mais espaço". Muitos de nós temos a falsa ideia de que só seremos livres quando tivermos "coisas".

Sentir-se um outsider, um estranho ou forasteiro em nossa própria cidade ou cultura não é um crime. Registre atrás do seu diploma que "carreira é uma invenção do século XX". Cuidado com tudo o que lhe é imposto pelos meios de comunicação, pela moda, enfim, pelo mercado. Você não é obrigado a ter uma carreira fantástica. Você precisa apenas sentir o que é bom e importante para você, ainda que isso não corresponda às expectativas das pessoas a sua volta. Aprendi com "Na Natureza Selvagem" que "liberdade e natureza são boas demais para se recusar".

Aprendi também que precisamos "aprender a chamar as coisas pelo nome certo". Em outras palavras, é aprender "a dar nome aos bois". As coisas, sentimentos e ideias que nos assombram, continuarão a nos assombrarem enquanto não aprendermos a identificá-las. Algumas vezes será necessário ir à natureza selvagem para nomear essas coisas. Talvez isso signifique ir até à nossa própria natureza que tantas vezes se nos apresenta como selvagem. Pensando com Nietzsche, poderíamos questionar se nós domesticamos ou adestramos a nossa natureza. Adestrar um animal é bastante diferente de domesticá-lo.

A nossa força não está nos nossos músculos, em nossas posses ou no que temos. A minha força está no que penso a respeito de mim mesmo. A minha força depende do que faço com o que recebo do mundo e do modo com que contribuo com o mundo porque aprendi que "o importante não é ser forte, mas se sentir forte".

Independente de nossas crenças e até mesmo da falta de crenças, aprendi que precisamos aprender a perdoar. A vida não deve ser guiada apenas pela razão. Mas muitas vezes pelo que nos encanta, nos seduz e faz o nosso coração acelerar, porque "admitir que a vida é guiada apenas pela razão é destruir a possibilidade de viver".

Dentre outras citações presentes no filme, a de Lord Byron diz: "Não que ame menos o homem, mas amo mais a natureza". Decepcionamo-nos com pessoas. Mas aprendi com o jovem Christopher McCandless que as pessoas não deixam de ser importantes diante da grandiosidade da natureza, pois são até mesmo necessárias, e porque "a felicidade só é real quando é compartilhada".

Ao fim de 2010, agradeço a todas as pessoas que compartilharam comigo suas dores e alegrias, enfim, suas vivências. Obrigado a todos que apontaram o caminho para a natureza selvagem!

*Baseado na obra de Jon Krakauer, "Na Natureza Selvagem" conta a história verídica de Christopher McCandless. Veja abaixo o trailer do filme.


terça-feira, 25 de maio de 2010

Na Natureza Selvagem

Por Anderson Araújo


O melhor filme que já vi até hoje. Já vi quase 10 vezes. O filme foi indicado pela amiga Júnia há 2 anos quando ainda estava em cartaz no cinema.

Você tem vontade de realizar grandes viagens? Ou de tomar importantes e necessárias decisões na sua vida? Falta alegria ou sobra alegria em sua vida? Em Na Natureza Selvagem, não só fazemos uma viagem ao Alaska com o jovem Christopher McCandless, ou "Alex", mas uma viagem em nós mesmos.

Medos, sonhos, angústias, família e... a busca pela felicidade! Libertador! Arrebatador! É difícil continuar o mesmo depois deste filme! Em breve, depois de vê-lo pela décima vez, postarei um texto aqui. Confira o trailer!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O sentimento de compaixão em "Um sonho possível"


Por Anderson Araújo
Assisti ao filme “Um sonho possível” que traz atuação da Sandra Bullock. Fiquei pensando no sentimento de compaixão. E me lembrei que o filósofo escocês David Hume tem uma teoria interessante sobre a compaixão. Explicando em breves palavras. O filósofo afirma que somos atingidos mais fortemente pela tristeza e pela aflição do que pelo prazer ou satisfação dos outros. E que a intensidade da compaixão aumenta de acordo com a relação de proximidade que temos com aquele que sofre. Ou seja, quanto mais próximos daquele que sofre, seja em grau de parentesco e de amizade, ou de distância, maior será o sentimento de tristeza em nós.

Temos uma história de compaixão em “Um sonho possível”. Mas nela, o grau de proximidade entre os envolvidos é pouco. E isso me fez pensar no significado da máxima “sou cristão”, sobretudo diante dos debates, denúncias e críticas a respeito das práticas cristãs, seja no protestantismo ou no catolicismo.

Um senhor de 82 anos me disse uma vez que ser cristão não é apenas seguir o Cristo, mas ser um “outro Cristo”, ou seja, fazer o que o Cristo fez. Vi neste filme uma temática verdadeiramente cristã. Uma mulher de muitas posses arrisca o bem estar da sua família para acolher um desconhecido. Uma história de compaixão que coloca diante de nós o verdadeiro significado da palavra “cristão” e revela que, “as palavras passam e os exemplos arrastam”.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Cão de guarda ou Amigo


O filme "O caçador de pipas" baseado no livro de mesmo nome traz uma história de amizade e traição e de ternura e vigor! É preciso almejar algo transcendente para compreender o menino Hassan. Parece que ele vê mais longe que o amigo Amir.
Por que chamamos os cães de nossos melhores amigos, sobretudo quando nos decepcionamos com os seres humanos? Hassan é chamado pejorativamente de cão de guarda de Amir. Hassan sabe o que significa cumplicidade.