quinta-feira, 24 de junho de 2010

"Tenho, logo existo?"

Por Anderson Araújo

Vivemos numa sociedade marcada pela técnica de produção, em que o mais importante é produzir e fabricar muito, pois é uma sociedade consumista. Não há o espaço para a contemplação e para o pensar, já que o indivíduo é treinado para produzir. Basta que siga modelos e fórmulas para realizar o seu trabalho.

Se o objetivo é, além de produzir, fazer com que os outros consumam, estamos numa sociedade que coloca o “ter” no lugar do “ser”. Esta sociedade privilegia a obtenção de coisas, roupas, celulares e carros de última geração para alcançar uma sensação de realização e de status. É a lógica que diz “tenho, logo existo”. Os meios de comunicação divulgam a ideia de que o indivíduo que existe é aquele que “se permite fazer compras”.

Nessa sociedade, imediatista, que exige soluções rápidas para os seus problemas, a filosofia é vista com preconceitos, se o importante é ter, não há espaço para refletir sobre as ações humanas. Os problemas de falta de sentido, carência afetiva, e de falta de autoconhecimento são solucionados com uma ida ao shopping, ou com o uso de bebidas alcoólicas.

A contemplação pode ser considerada como o primeiro passo para a investigação filosófica. Pois através da contemplação que o homem percebe que o mundo e as coisas não são como ele pensa que são. Ao contemplar o mundo, o habitual e o comum se tornam estranhos para o homem. E ao estranhar o mundo, o homem começa a fazer perguntas e questionamentos sobre o mundo.

Sem a contemplação, o homem não pode perceber o quanto existem coisas, lugares e ideias que possam ser investigadas. A contemplação produz dúvidas e questões naquele que contempla, o que é positivo para a investigação filosófica.

Essa prática não é muito empregada em nossa sociedade, porque as pessoas têm pressa para obter coisas e conhecer as coisas. A leitura de livros é substituída pela TV e por games, os passeios e caminhadas em parques e praças que propiciam o espaço para contemplação são substituídos por passeios em shoppings. Logo, se a contemplação exige tempo, reflexão e análise, ela é pouco valorizada em nossa sociedade imediatista e consumista.

Dessa maneira fica mais evidente a necessidade da filosofia e o seu valor. Aquele que a estuda pode perceber que não se trata de um passatempo, mas de conhecimento das possibilidades para alargar a sua mente e para torná-lo menos vulnerável à sociedade de consumo. A filosofia destaca a importância de “ser”, o que só é possível através do conhecimento de si mesmo e do mundo (contemplação).

Portanto, a filosofia sempre terá o seu valor. Talvez faltem oportunidades para que as pessoas conheçam melhor a filosofia. Mas os meios de comunicação não dão este espaço, pois as pessoas, ao ampliarem a sua visão de mundo através da filosofia, compreenderiam que não é importante consumir para “ser” alguém.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Os Cinco Sentidos e o nosso Conhecimento do Mundo

Por Anderson Araújo
Nas aulas sobre ilusão e engano tenho problematizado sobre os cinco sentidos. O que está em jogo é mostrar que nós falhamos e nos enganamos facilmente. Em outras palavras, é necessário colocar em dúvida o nosso conhecimento, sobretudo o que nos vem pelos sentidos, quando pensamos sobre o que pode ser a verdade em Filosofia.

Os nossos sentidos (olfato, paladar, visão, audição e tato) são meios através dos quais nos relacionamos com o mundo e conhecemos o mundo; são pontes que nos dão acesso às coisas. Mas este acesso nem sempre é confiável. Confundimos odores, sabores, imagens, sons e superfícies. Nenhum dos nossos cinco sentidos é perfeito. E com a idade, alguns deles falham ainda mais.

Surpreendemo-nos quando conhecemos alguém de audição mais sensível, por exemplo. Sempre cito meu amigo Ricardo que sem poder enxergar "com os olhos" desde os 7 anos de idade, esperava seu ônibus num ponto onde passavam três linhas diferentes. O Ricardo sabia qual era seu ônibus pelo barulho do motor. Às vezes, engana-se mais quem pode usar os cinco sentidos porque os utiliza mal.

No cotidiano, vivenciamos pouco a experiência de sentir e conhecer o mundo com os cinco sentidos plenamente. Assistimos TV enquanto acessamos nossos e-mails e durante as refeições. (As duas ou as três coisas juntas). Saboreamos pouco os alimentos. Ouvimos mal as pessoas.

Dizem que o sentido mais histórico é o olfato. E acredito nisso. Há perfumes que nos levam a vários lugares da nossa vida; ao cheiro de uma árvore da escola primária, por exemplo. O fato é que todos os sentidos nos enganam e têm sua marca de longa duração mas também de evanescência. A visão parece ser o sentido que mais nos engana e dispersa, nos dá foco, mas também nos faz perdê-lo facilmente.

O tato poderia aprender essa habilidade da visão: a de soltar as coisas facilmente. Nós nos apegamos às coisas muito fácil e até a pessoas. Nossas mãos prendem as coisas, dinheiro, posses, e tudo vai ficando mais pesado e mais suspeito. Falta ao tato o desprendimento que possui a nossa visão. Seríamos mais leves se nossas mãos se desprendessem das coisas como os nossos olhos, não sofreríamos tanto por apego.

Mas a atitude de suspeita é positiva em nossa investigação do conhecimento. Suspeitar do modo com o qual conhecemos o mundo e dele recebemos conhecimento nos ajuda a nos enganarmos menos, a nos iludirmos menos. E diante da imperfeição dos cinco sentidos, precisamos depurar, tornar mais sensível cada um dos nossos sentidos. Um exemplo simples, mas que dá medo em muita gente: comer em silêncio, sozinho, mastigando os alimentos devagar. Outra experiência realmente excêntrica: tomar banho no escuro, assistir TV sem som. São experiências que nos ajudam a pensar sobre o modo com que conhecemos o mundo e a explorar melhor os nossos sentidos.

terça-feira, 8 de junho de 2010

A sua Filosofia e a Filosofia do seu time


Por Anderson Araújo

No último domingo, 06/06, O Atlético-MG perdeu pela primeira vez para o Ceará em Belo Horizonte em sua última partida no “velho Mineirão”. Não é a primeira vez que, após o jogo do galo, escuto o treinador Vanderlei Luxemburgo falar sobre a “filosofia do time”, ou sobre a “filosofia do elenco”. É interessante que muitas pessoas gostam de usar a expressão “minha filosofia de vida” para tratar de crenças e posturas pessoais acerca de algum assunto.

É comum entre os filósofos certo medo de se posicionar diante do que seja “Filosofia”. Algumas vezes isso representa, positivamente, rigor e cuidado com a tradição filosófica, ou, negativamente, uma forma de se evitar o debate.

Voltando à fala do respeitado e admirado treinador Vanderlei Luxemburgo, quero me posicionar acerca do que pode significar a expressão “filosofia do grupo” ou “minha filosofia de vida”.

Contextualizando, após a 7ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Atlético-MG, ao perder para o Ceará, permaneceu entre os quatro últimos times do campeonato. É cedo para se falar em rebaixamento, mas isso não deixa de preocupar o torcedor. Da torcida pude perceber que a atuação dos jogadores do atlético realmente nos incomoda. Ouvi diversas vezes alguém dizer “está pior do que eu imaginava”. (Não vou ao estádio para vaiar o meu time, não faz parte da “minha filosofia de vida”). A torcida vaiou e protestou.

Ao final da partida, em sua entrevista aos jornalistas, Vanderlei Luxemburgo utilizou a palavra “filosofia” três vezes durante quase dez minutos de entrevista sobre a atuação da equipe. Ressaltou que o clube paga os salários em dia e tem o melhor centro de treinamento do Brasil, declarou ainda que quer mudar o PERFIL dos jogadores. Disse também que não é “sem vergonha”, porque trabalha muito e que “está com vergonha momentaneamente porque o resultado é ruim”.

O Luxemburgo disse, dentre outras coisas, que quer jogadores comprometidos com o grupo, com a “filosofia do grupo”. Para ele, o elenco que atuou contra o Ceará não teve comprometimento com a “filosofia do grupo”.

Entendo que Filosofia, e sobretudo no sentido citado pelo Vanderlei, é uma atitude diante da vida, dos acontecimentos, enfim, diante do conhecimento. Atitude! Qual é a atitude que os jogadores devem ter para jogar no galo? Comprometimento; trabalho, capacidade de reação; memória da grandeza do clube e, vergonha das más atuações! Além disso, com o intuito de definir a "filosofia do galo", deve-se pensar no perfil do vitorioso Vanderlei Luxemburgo, que pode ser sintetizado pela frase que ele não se cansa de repetir: “Com medo de perder, você perde a vontade de ganhar”. Portanto, jogadores do atlético não podem ter medo de perder, mas muita vontade de ganhar.

Neste sentido, cada pessoa ou time possui uma filosofia, quer dizer, uma atitude diante da vida, do conhecimento e dos acontecimentos. A sua “filosofia de vida” ou a “filosofia do seu grupo” revela o seu perfil ou o perfil do seu grupo; em outras palavras, revelam as suas crenças e seus conhecimentos que podem fazer do seu time um perdedor ou ganhador.

Confira a entrevista do técnico Vanderlei Luxemburgo em www.tvgalo.com.br


quarta-feira, 2 de junho de 2010

Mudar dói, não mudar dói muito

Por Anderson Araújo

É do filósofo grego, Heráclito de Éfeso, a célebre frase: "Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio, nós somos e não somos". Assim como as águas do rio mudam constantemente, nós também sofremos constantes transformações e mudanças. É a ideia de que todas as coisas estão mudando sempre, nunca permanecem as mesmas. Mesmo sutis, estes movimentos ou transformações, ocorrem frequentemente.

A ciência e a física demonstram por meio de experimentos que a vida e todas as coisas estão sujeitas ao devir, ou seja, às mudanças. Geralmente as mudanças não são confortáveis. Mudar de casa, de escola e até mesmo de ideias sobre si mesmo e sobre o mundo pode trazer muita insegurança, mas pode trazer também amadurecimento.

Mudanças exigem adaptações, novos saberes e alargamento dos nossos limites, ou seja, é uma oportunidade para driblar ou superar alguma dificuldade. Cada pessoa possui uma identidade, ou caráter (ideia de algo impresso que não muda), por isso dizemos que temos nossos valores e princípios. Mas sempre existe um espaço para transformações, sobretudo daquilo que nos impede de avançarmos em nossos projetos.

Gabriel, "O pensador", tem uma frase que diz: "Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo". Algumas pessoas reclamam da falta de um bom emprego; outras dizem que não são inteligentes, mas não trabalham para mudar, pelo contrário, lutam para continuar as mesmas. É triste perceber que estas pessoas paralisam suas vidas, devido ao medo das mudanças, ou ao comodismo dos lugares já conhecidos.

Neste sentido, penso que não há como fugir das mudanças, pois são próprias de tudo que vive e mesmo do que é inorgânico. Às vezes adiamos algumas necessárias transformações. Mas, como canta o compositor Oswaldo Montenegro: "hoje sei que mudar dói, mas não mudar dói muito".

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Encantamento, Espanto e Admiração


Por Anderson Araújo

Os filósofos começaram a filosofar devido a uma atitude de espanto, estranhamento e encantamento, nos diz o filósofo Aristóteles. Estas palavras são possíveis variações obtidas pela tradução do verbo grego "thaumatzein". Em outras palavras, podemos dizer que o que move o filósofo é esta atitude de espanto diante do mundo e das coisas.

O mundo se apresenta enigmático, misterioso e estranho aos olhos de um filósofo. Por isso, filosofar é uma atitude de questionamento e de investigação das coisas comuns e experimentadas como "óbvias" pela maioria das pessoas. É verdade que precisamos nos acostumar com algumas coisas para agirmos no cotidiano. Certos automatismos garantem a nossa boa sobrevivência. Mas também impedem a reflexão e nos deixam mais robóticos e menos humanos.

Sempre digo que há coisas, imagens e aspectos diferentes, seja das paisagens ou das pessoas, no caminho que fazemos quando saímos de casa ou quando para ela voltamos. Uma postura filosófica é também vigilante, sobretudo contra o olhar viciado. A vida fica sem graça quando deixamos de ver coisas diferentes no mundo. O óbvio rouba o brilho dos nossos olhos.

Os fenômenos da natureza nos causam espanto e admiração, o pôr-do-sol por exemplo. O ciclo da vida e o comportamento humano também. A capacidade humana de fazer o mal nos assombra, mas a sua capacidade de doar-se e de cuidar da vida nos encanta. Estas atitudes também são características da ciência. Por isso a ciência sempre avança por meio de novas pesquisas sobre um objeto já inúmeras vezes estudado.

Experimentar o mundo com outros olhos é um modo de resignificá-lo, dar novos sentidos às coisas. Isso nos torna mais criativos, mas artistas, enfim, mais humanos. Além disso, penso que também é uma atitude nobre. O contrário, uma vida acostumada e confortável no mundo, é quase sempre triste, sem sabor, sem encantamento, por isso pobre de espírito.

(Imagem: "A noite estrelada" de Vincent Van Gogh, 1889)





terça-feira, 25 de maio de 2010

Na Natureza Selvagem

Por Anderson Araújo


O melhor filme que já vi até hoje. Já vi quase 10 vezes. O filme foi indicado pela amiga Júnia há 2 anos quando ainda estava em cartaz no cinema.

Você tem vontade de realizar grandes viagens? Ou de tomar importantes e necessárias decisões na sua vida? Falta alegria ou sobra alegria em sua vida? Em Na Natureza Selvagem, não só fazemos uma viagem ao Alaska com o jovem Christopher McCandless, ou "Alex", mas uma viagem em nós mesmos.

Medos, sonhos, angústias, família e... a busca pela felicidade! Libertador! Arrebatador! É difícil continuar o mesmo depois deste filme! Em breve, depois de vê-lo pela décima vez, postarei um texto aqui. Confira o trailer!

sábado, 22 de maio de 2010

O Drama Humano da Liberdade

Por Anderson Araújo

Poema de José Paulo Paes

"a torneira seca
(mas pior: a falta de sede)

a luz apagada
(mas pior: o gosto do escuro)

a porta fechada
(mas pior: a chave por dentro)"

O José Paulo conseguiu exprimir dramaticamente o problema da liberdade nos versos acima. O poema demonstra como somos livres mesmo em situações que optamos em não escolher, ou mesmo quando a escolha é negativa. Em outra situações, uma porta fechada seria condição de desespero e de tristeza. Mas neste caso, não se pretende abrir a porta, pois sabe-se que a chave está por dentro.

Este poema me lembrou a frase de uma pessoa de personalidade bastante excêntrica: "Ficar deprimido um dia é normal. Todo mundo tem direito. Mas ficar deprimido mais de 24h é brega".

É o drama humano da liberdade!

Penso que uma atitude afirmativa contra a letargia ficaria assim: "Tenho muita sede: que bom, há muita água! Muito escuro aqui dentro: mas que sol fantástico lá fora! Ah, a porta está fechada: mas a chave está aqui! Uau, vou vazar!"

Letargia: sonolência mórbida profunda, desânimo, preguiça.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Tio Zé e a Filosofia

Por Anderson Araújo

Há alguns dias conheci o tio Zé, lá de Goiás, irmão da vovó Edite. Homem matuto e de muita sensibilidade, acostumado à vida no campo, gente que lê os sinais da natureza melhor do que meteorologista. Eu sempre soube da fama do tio Zé de "contador de causos".

Naquela manhã de sábado estava disposto a ouvir suas histórias e causos. Primeiro, ele contou que lá em Goiás, na sua fazenda, dá tanto peixe que se pega com as mãos na "beirada" da lagoa. E dentre outros causos, ele também contou que os celulares fazem parte mesmo da vida dos habitantes na sua cidade em Goiás. Certa vez, encontrou um cachorrinho mancando, quando foi ver, o cachorrinho estava falando com a namorada no celular. Bom, é verdade que a história da lagoa dá para acreditar, mas a do cachorrinho...

Depois de muita risada, questionamos o tio Zé, com todo respeito, de onde vinha a capacidade de contar mentiras. Então ele disse: "A verdade é pouca. Se a gente não inventar, a gente fica sem assunto. A conversa acaba e não tem como passar o dia. Vai ficar contando só verdade? O assunto acaba".

Para mim, o tio Zé tinha acabado de contar uma verdade filosófica. Em outras palavras, ele tinha acabado de sintetizar livros e tratados de filosofia numa única frase: "A verdade é pouca". "A gente precisa inventar". Pois, a filosofia se não for a busca pela verdade, é um esforço para mostrar que muitas teorias ou conceitos tidos como verdades, não são verdadeiros, são inventados. Muitas verdades não passam de crenças, invenções. Ou seja, habituamo-nos a teorias que nos são transmitidas e ensinadas, seja pela tradição ou pelos meios de comunicação, sem questionarmos a verdade. Disso decorrem várias críticas, como a de Karl Marx às ideologias.

Se podemos encontrar a verdade é outra história, investigada em bons e longos tratados. Mas ter consciência da "invenção da verdade" já é um importante passo e uma nobre postura filosófica. A teoria do tio Zé não só me lembrou a minha dissertação de mestrado, mas também me ajudou a encarar o problema da verdade com mais leveza.

domingo, 16 de maio de 2010

Sentimento

Por Anderson Araújo

Estudar fica mais leve e mais prazeroso quando reconhecemos o valor do estudo entre outros valores. Por que será tão difícil criar a disciplina ou o hábito de sentar e ler um livro ou fazer uma tarefa? Porque isso geralmente lembra uma condenação para muitas pessoas. Porque a nossa cultura habituou-se em castigar as crianças por meio dos estudos. O ato de estudar deve ser algo prazeroso, como uma brincadeira, sobretudo porque brincadeira de criança é muito séria: só pode brincar quem aceita a verdade contida no "faz de conta".

(A arte na pedra é do "Frater Henrique"- Igarapé/MG).

terça-feira, 11 de maio de 2010

A Consciência Ética em Gandhi e o Método da Não-violência

Por Anderson Araújo


A história nos revela exemplos de homens que lutaram pela paz no mundo e pela liberdade humana. Gandhi se destaca na história por seu amor e dedicação à vida, por seu cuidado com todas as coisas que existem no mundo. Podemos dizer que Gandhi possuía uma consciência ética.

Gandhi, em princípio, lutou pela independência da Índia. É o que podemos falar, resumidamente, da vida deste homem. Porém, ao lutar pela independência da Índia, Gandhi o fez também pela independência do homem inglês que explorava a Índia, pela independência do homem europeu, enfim, pela independência do ser humano!

Mas, Gandhi também teria lutado pela independência dos exploradores da Índia, isto é, pelos ingleses? Conhecemos a história e sabemos que Gandhi lutara tão somente pela independência da Índia. Mas, o método, isto é, o caminho que ele utilizou para lutar pela independência do seu país é marcado por uma preocupação não só com o seu povo, os indianos, mas com o ser humano. O objetivo de Gandhi nesta luta foi a liberdade e a paz para o ser humano, e não apenas para o seu povo.

O caminho utilizado por Gandhi: a não-violência. Não-violência não significa passividade, ou resignação, mas uma luta mais ativa que a luta armada. Porque só homens disciplinados, de bons hábitos, conhecedores de si mesmos e dos seus ideais e, portanto, da sua causa, podem utilizar o método da não-violência. Gandhi sabia que uma boa ação, realizada uma única vez não faria diferença na vida do seu povo. É preciso ser bom sempre, respeitar todos os dias a natureza e a vida; mostrar-se indignado todos os dias com a mentira e o egoísmo e, certamente o mais importante: é preciso dialogar sempre!

Gandhi ensinou a virtude para o mundo inteiro, ensinou-nos como podemos ser livres e como podemos cuidar da morada humana, isto é, como podemos ser éticos. Porque o mundo, que é a morada comum a todos os homens, não depende apenas do gesto de uma pessoa para que ele continue habitável, mas do esforço de todos os seres humanos, de gestos simples; jogar uma casca de banana na lixeira, dizer um bom dia ao outro e pedir perdão aos nossos pais, aos nossos filhos, e aos nossos amigos.

Há um provérbio que diz: Não é a chuva forte que nos dá uma boa colheita, mas aquela chuva que cai mansinha todos os dias sobre os nossos campos. É urgente que sigamos o exemplo de Gandhi, pois só teremos uma boa colheita, ou seja, só colheremos a paz e a liberdade se regarmos todos os dias as nossas vidas com diálogo e boas ações.

O filósofo Michael Foucault diz que não existe o poder. Mas, relações de poder. Porque o poder circula entre as pessoas. E é o que caracteriza a liberdade. Assim, por exemplo, num diálogo, quando escutamos, silenciosamente, o que o outro fala, damos ao outro o poder de falar.

Hannah Arendt, também filósofa, nos ensina que, se o poder foi tomado por uma pessoa, não há poder, mas violência. Porque o poder não pode ser tomado, mas dado. Assim, quando elegemos um representante, damos à outra pessoa o poder de nos representar. Arendt escreve: “A forma extrema de poder é o todos contra um. A forma extrema da violência é o um contra todos (...) A violência de um contra todos nunca é possível sem armas. A violência distingue-se por seu caráter instrumental”.(Hannah Arendt, Sobre a Violência).

Assim, aprendemos com os filósofos que, quando agimos com violência verbal ou física, estamos distanciando-nos do poder, e afastando-nos do que nos faz humanos; da capacidade de nos expressarmos através do diálogo. Gandhi também nos ensina isso, mas vai além. Mahatma Gandhi, “grande alma”, como foi chamado, nos ensina que um ato violento é injustificável, e que um bom soldado é um homem virtuoso que se cultiva com bons hábitos e pratica boas ações.

“Considero-me um soldado, mas um soldado da paz”. (Gandhi)

HISTÓRIA

Para quem tiver interesse em conhecer melhor a vida de Gandhi:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mahatma_Gandhi



quinta-feira, 6 de maio de 2010

O Que é o Tempo?

Por Anderson Araújo

Santo Agostinho, um filósofo cristão, elabora um pensamento divertido e interessante sobre o TEMPO. Primeiramente, Agostinho se faz a seguinte pergunta: “O que fazia Deus antes de criar o céu e a terra?” Através dessa pergunta o filósofo chegou a soluções geniais, que se tornaram muito famosas.


Antes de Deus criar o céu e a terra não havia tempo e, portanto, não se pode falar de um “antes” antes da criação do tempo. O tempo é criação de Deus e, por isso, a pergunta proposta não tem sentido. Mas, vamos insistir com Agostinho, então, o que é o tempo?


O tempo implica passado, presente e futuro. Mas o passado não é mais e o futuro não é ainda. E o presente, diz Agostinho, “se fosse sempre e não transcorresse para o passado, não seria mais tempo, mas eternidade”.


Para Agostinho, o tempo existe na mente do homem, porque é na mente do homem que se mantém presentes tanto o passado como o presente e o futuro. E de qualquer forma, é na nossa mente que se encontram esses três tempos, que não são vistos em outra parte: o presente do passado, que é a memória; o presente do presente, isto é, a intuição; o presente do futuro, ou seja, a espera.


Os sábios e os filósofos nos ensinam que a qualidade de vida depende da nossa capacidade de aproveitar o tempo. Ou seja, vive melhor quem sabe aproveitar o seu tempo.


Os antigos diziam uma frase em latim muito interessante sobre isso: “Carpe diem”, que significa: “Aproveite o seu dia”, “Aproveite o seu tempo”. Mas aproveitar o tempo, ou aproveitar o dia, é fazer sempre o que gostamos? Parece-me que aproveitar o tempo é fazer o que é necessário fazer em cada momento. Pois, a pessoa que deixa tudo para a última hora sofre tentando manipular o tempo. Logo, não vive bem. Carpe diem!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

As Relações de Poder

Por Anderson Araújo

Geralmente nos enganamos quanto aos conceitos de poder e violência, julgando-os como se fossem sinônimos. Mas, temos que nos conscientizar de que não é a mesma coisa! Inclusive, para começo de conversa, onde o poder se encontra não há violência, e o inverso também é verdade: onde há violência não existe o poder.

Lembremo-nos de Hitler na Alemanha, durante o regime nazista, e, sobretudo das ditaduras que existiram no último século. O que há de comum nesses regimes? O uso de instrumentos como forma de tomar e de assegurar o poder!!! A presença de instrumentos num governo nos ajuda a perceber se o que existe é o poder ou a violência. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, a Violência se distingue do poder por possuir um caráter instrumental, ou seja, se há emprego de instrumentos como forma de tomar ou assegurar o poder, o que existe de fato é a violência.

O uso de armas ou de torturas só reforça a ausência de poder. Se alguém necessita de armas para impor uma idéia ou para alcançar alguma coisa não existe o poder.

O poder, para que seja legítimo e reconhecido enquanto tal, necessita de números, quer dizer, de apoio. No Brasil, por exemplo, o poder do presidente Lula é legítimo. Por quê? porque o atual presidente não usou nem armas nem violência para alcançar o poder. O presidente Lula só se encontra no poder, e pelo segundo mandato, devido ao número de pessoas que o apoiou através do voto.

O poder é consentimento, depende do apoio das pessoas, ou do voto. Enquanto a violência faz uso de instrumentos para alcançar o que deseja, por exemplo, quando um criminoso me rouba a carteira com a ajuda de uma faca, ou rouba o banco com a ajuda de uma arma.

Assim, a violência se manifesta agressivamente, e por isso mesmo, nos assusta, e nos deixa muitas vezes imóveis. O ser humano é tentado a recorrer à violência para alcançar o poder. Vejamos um exemplo que pode ocorrer em sala de aula:

O professor está explicando um conteúdo ou trabalho. É “o momento legítimo” para que ele exerça o seu poder. Alguns alunos conversam durante a explicação. Um aluno até grita para fazer com que os colegas escutem-no: estamos diante de um ato violento. Aumentar o tom de voz para ser reconhecido é uma forma de violência.

Outra coisa que precisamos deixar bem claro também é que o poder não pertence apenas a uma pessoa. Podemos ver isso através dos seguintes exemplos. O professor, ao permitir que um aluno fale e expresse as suas idéias, permite com isso que o poder circule. Numa empresa, o chefe, líder ou gerente também faz com que o poder circule, ao permitir que os seus funcionários participem de reuniões, manifestem suas opiniões e tomem decisões, ainda que restritas à sua àrea de atuação; e essa é a segunda principal característica do poder: ele acontece numa relação, nunca permanece “nas mãos de uma só pessoa”.

Em debates e discussões, é comum algumas pessoas alterarem o tom de voz, pensando que, por meio do grito, manifestariam o seu poder, mas não deixa de ser uma atitude de violência. Estamos diante de um falso poder quando existe medo numa relação e não o respeito.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Vingança sofisticada

Por Anderson Araújo
Li numa revista que o Chico Anísio disse que uma das piores coisas do mundo é a ingratidão, que é a incapacidade de reconhecer que o outro lhe fez algo que ele poderia não ter feito, ou ainda, incapacidade de reconhecer que o outro lhe fez algo que outros que tinham condições de fazer, não fizeram.

Assunto complexo. Nietzsche, o filósofo que incomoda tanta gente, diz que a gratidão só é possível entre iguais. E que uma forma sofisticada de vingança consiste em dar, em presentear, e não em ficar alimentando maneiras e modos de vingar-se, nem ficar nutrindo sentimentos rancorosos ou ressentimentos diante daqueles que nos fizeram algum mal.

Muita gente tem até vontade de agradecer aos outros por algo que lhe fizeram. Mas, na verdade, muita gente não sabe agradecer. Há pais que não sabem agradecer aos filhos. Há filhos que não sabem agradecer aos pais.

As pessoas que não sabem agradecer pensam que na atitude de agradecimento elas manifestarão a sua pequenez e até mesmo a sua miséria. Mas o que Nietzsche diz é o contrário, a gratidão revela que somos fortes e que alcançamos um equilíbrio de poder e de forças diante do outro.

Será a ingratidão coisa dos fracos?

quarta-feira, 21 de abril de 2010

"Liberdade a qual tardia entretanto"

Por Anderson Araújo

Liberdade – essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique,
e ninguém que não entenda". (Cecília Meireles)

Liberdade, palavra tão empregada por todos, sobretudo, adolescentes. Um sonho, uma dádiva, uma conquista e, um problema.

É sempre problemática toda discussão em torno do que seja a liberdade. Na cabeça de todo adolescente e de muitos adultos é comum a ideia de que "liberdade é fazer tudo o que se quer" - Essa LIBERDADE ABSOLUTA parece rimar com ABSURDA quando diz respeito a seres humanos. Parece coisa de deuses. Ora, você PODER fazer tudo?

Primeiro, a vida em sociedade seria impossível. Pois, a liberdade absoluta de uma pessoa acabaria comprometendo diversas liberdades. Segundo, não haveria graça alguma "poder fazer tudo". O prazer e a alegria dos nossos sonhos e projetos estão justamente na busca por eles, na luta e nos desafios enfrentados por eles.

Na minha adolescência eu demorei a compreender o que o filósofo Jean-Paul Sartre disse sobre a liberdade. A sua famosa frase é: "A existência precede a essência". Isso quer dizer o seguinte: a nossa existência é sempre algo em movimento, que pode ser mudado, que pode ser transformado, e é nisso que está a nossa liberdade. Não temos uma essência que determina a nossa existência.

Além disso, deve-se ter em mente que ao se falar em liberdade, fala-se em ESCOLHAS. A possibilidade de escolher que vai determinar se o nosso comportamento é livre ou não. Assim, ainda que não possamos realizar muitas de nossas escolhas, o fato de poder escolher já é indício e marca da nossa liberdade. Não escolhemos os contratempos, as barreiras do caminho a ser trilhado. Continuamos livres, ainda que uma pedra no meio do caminho impeça a nossa passagem. Poder escolher é uma coisa. Poder realizar as nossas escolhas já é outro assunto.

E ainda precisamos pensar sobre a ideia de que "DISCIPLINA É LIBERDADE", verso presente numa das belas canções do Renato Russo.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O sentimento de compaixão em "Um sonho possível"


Por Anderson Araújo
Assisti ao filme “Um sonho possível” que traz atuação da Sandra Bullock. Fiquei pensando no sentimento de compaixão. E me lembrei que o filósofo escocês David Hume tem uma teoria interessante sobre a compaixão. Explicando em breves palavras. O filósofo afirma que somos atingidos mais fortemente pela tristeza e pela aflição do que pelo prazer ou satisfação dos outros. E que a intensidade da compaixão aumenta de acordo com a relação de proximidade que temos com aquele que sofre. Ou seja, quanto mais próximos daquele que sofre, seja em grau de parentesco e de amizade, ou de distância, maior será o sentimento de tristeza em nós.

Temos uma história de compaixão em “Um sonho possível”. Mas nela, o grau de proximidade entre os envolvidos é pouco. E isso me fez pensar no significado da máxima “sou cristão”, sobretudo diante dos debates, denúncias e críticas a respeito das práticas cristãs, seja no protestantismo ou no catolicismo.

Um senhor de 82 anos me disse uma vez que ser cristão não é apenas seguir o Cristo, mas ser um “outro Cristo”, ou seja, fazer o que o Cristo fez. Vi neste filme uma temática verdadeiramente cristã. Uma mulher de muitas posses arrisca o bem estar da sua família para acolher um desconhecido. Uma história de compaixão que coloca diante de nós o verdadeiro significado da palavra “cristão” e revela que, “as palavras passam e os exemplos arrastam”.

Filosofar para alargar os nossos horizontes

Por Anderson Araújo

“Uma vida sem reflexão não merece ser vivida”, nos diz o filósofo Sócrates. Ora, filosofar é justamente isso, refletir sobre si mesmo e sobre o mundo. Mas por qual razão? A etimologia da palavra filosofia pode nos ajudar a responder a esta pergunta. Filos, termo grego que significa amizade. Sofia, que significa sabedoria. O homem filosofa porque tem desejo de conhecer e possui amor pelo conhecimento.

O homem pensa sobre si mesmo porque deseja conhecer-se melhor. E o mesmo se dá no seu pensamento sobre os seus semelhantes e sobre o mundo a sua volta. Ele pensa sobre eles porque deseja conhecê-los melhor.

O filósofo faz perguntas porque ama o conhecimento. O filósofo duvida porque ama as distinções. Às vezes, pode parecer que o discurso filosófico não passa de um discurso vazio, sem sentido. Pois, são tantas perguntas e tantas respostas... E todas as respostas vão sendo debatidas por outros filósofos. Muitas vezes temos até preguiça de filosofar, porque queremos entender tudo rapidamente e dar, apressadamente, a nossa opinião sobre tudo.

Mas a filosofia também não se constrói com opiniões? Sim e Não. Porque as opiniões são, de um lado, afirmações ou negações apressadas, sem fundamento. E por outro lado, elas podem se manifestar como algo espontâneo, criativo, o que nos ajuda a filosofar. Por isso, qualquer teoria filosófica deve ser discutida entre os filósofos. Construímos pensamentos filosóficos a partir de opiniões, mas eles não são simples opiniões.

Assim, filosofar é submeter as nossas opiniões e os nossos pensamentos ao debate, seja em sala de aula, em casa ou numa roda de amigos. Filosofar é algo eminentemente humano, capaz de alargar, ampliar os nossos horizontes.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Imitação ou Invenção

Por Anderson Araújo

Toda criança passa por um processo de aprendizagem quando vem ao mundo, processo que em sociologia chamamos de socialização. Ela precisa imitar determinados comportamentos e um conjunto de regras e valores para viver em sociedade.

Não há dúvida de que a socialização é realmente necessária. Tenho pensado que cada comportamento, jeito de ser, depende do equilíbrio entre imitação e invenção.

Há pessoas que imitam demais e perdem a sua singularidade, originalidade. Pessoas que se perdem em modelos admirados, e que, irrefletidamente, reproduzem comportamentos doentios, a guerra religiosa, por exemplo.

Por outro lado, há pessoas tão originais, em latim, sui generis, que até mesmo nos incomodam na convivência. Pessoas originais demais imitam pouco o comportamento alheio. Isso provoca admiração, mas também um certo incômodo em todos. Pense nos artistas: pessoas extremamente criativas.

A imitação é necessária para a socialização. Mas a invenção é sempre saudável, e é o que torna o mundo dinâmico. Diante da dúvida, escolho o equilíbrio.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Olhar Filosófico

“Daquilo que sabes conhecer e medir, é preciso que te despeças, pelo menos por um tempo. Somente depois de teres deixado a cidade verás a que altura suas torres se elevam acima das casas”. (Nietzsche).


Um OLHAR filosófico sobre o mundo exige que nos distanciemos do que vemos e do que experimentamos. Só assim notamos o real tamanho das coisas. O contrário, uma atitude não filosófica diante da vida, é "engolida" pelas coisas e pelos acontecimentos, se perde em tudo o que faz, sem saber distinguir entre o que é e o que faz. Experimente distanciar-se.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Utilidade ou Valor da Filosofia

Durante muito tempo fiquei pensando na função e/ou utilidade da filosofia. Os alunos me perguntam sobre a utilidade desta disciplina. Diversas vezes caí nesta cilada, pensar na utilidade da filosofia...
Hoje penso em Filosofia como ocupação, como modo de vida, como jeito de ver o mundo. As coisas nos são úteis, e atendem aos imediatismos.

Mas... Filosofia como modo de vida nos ajuda a pensar corretamente. Ainda que o pensar corretamente nem seja o mais útil. Por isso, é melhor pensar no valor da Filosofia como modo de vida, como um socrático "ocupar-se de si".

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Textos de Filosofia - Vestibular UFMG 2011

A página da Comissão permanente do vestibular - COPEVE - disponibiliza os textos em sua página para download.

Vestibular 2011 > Textos de Filosofia indicados ao Vestibular 2011

Textos de Filosofia indicados ao Vestibular 2011

SANTO AGOSTINHO. Confissões (Livro XI: O Homem e o Tempo). Tradução de J. Oliveria Santos & Ambrósio de Pina. São Paulo: Nova Cultural, 1987.
MILL, John Stuart. O Utilitarismo. (Capítulo II: O que é o Utilitarismo; Capítulo V: Da Relação entre Justiça e Utilidade). Tradução Alexandre Braga Massella. São Paulo: Iluminuras, 2000.
WILLIAMS, Bernard. Moral: uma Introdução à Ética. (Capítulo intitulado Utilitarismo, pp. 137-165)Tradução de Remo Mannarino Filho. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

Consulte e baixe os textos em: www.ufmg.br/copeve

terça-feira, 30 de março de 2010

Reality Show

Como podemos ver na Imagem da Caverna de Platão, a educação para Platão seria uma arte da reviravolta, uma arte que sabe como fazer o olho mudar de orientação do modo mais fácil e mais eficaz possível; não a arte de produzir nele o poder de ver, pois ele já o possui, sem ser corretamente orientado e sem olhar na direção que deveria, mas a arte de encontrar o meio para reorientá-lo. Em geral, podemos dizer que muitos meios de comunicação não apresentam programas que nos fazem pensar, assim como os programas de reality show, passamos horas vendo apenas imagens sem necessidade de reflexão.

Você possui atitude filosófica diante do mundo e das coisas? O que você faz , lê e vê, exige de você reflexão?


O Mito da Caverna ou a Imagem da Caverna de Platão

Por Anderson Araújo

O Texto abaixo é uma paráfrase que fiz do texto original.

Sócrates pede ao seu interlocutor para comparar a sua natureza, educada ou não, com a situação que ele vai narrar. Nesta situação, há homens presos numa caverna, a qual tem somente uma abertura voltada para a luz. Os homens que ali estão, encontram-se amarrados desde crianças, pelas pernas e pelo pescoço. Assim, eles não podem mover-se, porque estão amarrados de tal modo que só podem olhar para frente.

Atrás deles e longe dali, brilha a luz de um fogo. Sócrates pede também para imaginar que, entre o fogo e os prisioneiros, existe um caminho, e, ao longo deste caminho, um muro.

Sócrates pede para imaginar que, ao longo do muro, há homens carregando objetos diversos que ultrapassam a altura do muro, são estátuas e outras figuras de madeira e de pedra que representam animais. Além disso, entre esses homens há aqueles que vão conversando pelo caminho, e aqueles que caminham em silêncio.

O interlocutor de Sócrates afirma que são imagens e prisioneiros muito estranhos. Sócrates explica que os prisioneiros são parecidos conosco. Sócrates pergunta ao seu interlocutor se esses prisioneiros poderiam ver de si mesmos e dos outros companheiros, outras coisas além das suas sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna em frente a eles. O interlocutor responde que não, porque foram obrigados a ficar com a cabeça imóvel durante toda a vida.

Sócrates pergunta se o mesmo não se daria com relação aos objetos transportados. O interlocutor afirma que sim. E perguntado se os prisioneiros, ao conversarem sobre o que vêem, apontariam como sendo a realidade, o interlocutor responde afirmativamente.

No caso de os prisioneiros ouvirem um eco do fundo da caverna, eles afirmariam que o eco provém das sombras projetadas na parede. Para os prisioneiros, a verdade coincidiria com a sombra dos objetos. O interlocutor diz que para eles não poderia haver outra verdade além daquelas sombras.

Se os prisioneiros fossem libertados e curados de suas ignorâncias e, um deles fosse solto, e obrigado a levantar-se, a mover o pescoço, a caminhar e a dirigir o seu olhar para a luz, sentiria dor, e, pelo clarão se tornaria incapaz de reconhecer as coisas, das quais via antes as sombras.

E se dissessem ao ex-prisioneiro que o que ele via antes não passava de sombras, e que agora ele vê perfeitamente, porque está voltado para as coisas que têm mais ser. E, se lhe mostrassem cada um dos objetos, lhe perguntando que coisa é, o que ele responderia. O interlocutor responde que o ex-prisioneiro teria dúvidas e pensaria que o que ele via antes era mais verdadeiro do que o que ele vê depois de libertado. E se o prisioneiro fosse forçado a olhar para a luz, ele sentiria dor nos olhos e fugiria voltando-se para as coisas que antes ele via e as tomaria por mais claras do que as coisas que lhe mostraram.

No caso de o prisioneiro ser levado à força para fora da caverna e o obrigassem a ver a luz do sol, ele sofreria e ficaria irritado por ser obrigado a tal. Ele ficaria com os olhos plenos de luz, ofuscados, e não seria capaz de ver nenhuma das coisas que lhe fossem indicadas como verdadeiras. O interlocutor diz que no começo seria difícil para o ex-prisioneiro.

Sócrates diz que ele deveria se habituar para conseguir ver as coisas do alto. E que, primeiro, ele veria mais facilmente as sombras, depois as imagens dos homens e das outras coisas refletidas na água, e, por último, a coisa mesma. Depois disso, poderia ver mais facilmente o que está no céu e o céu mesmo à noite, do que de dia o sol e a luz do sol. E, por fim, poderia ver o sol e não mais as suas imagens na água ou em outro lugar, mas no lugar mesmo, e vê-lo como ele o é.

Disso então, diz Sócrates, ele chegaria à conclusão de que o sol que produz as estações e os anos e que governa todas as coisas que são visíveis e que, de certo modo, é a causa também de tudo o que ele e os seus companheiros viam antes.

O prisioneiro, ao recordar da sabedoria que ele e seus companheiros acreditavam possuí-la na prisão, ficaria feliz pela mudança e sentiria tristeza pelos seus companheiros que continuaram presos.

Entre os prisioneiros tinham prêmios para aquele que, tendo os olhos mais nítidos na observação das imagens que passavam, se lembrasse com exatidão daquelas que apareciam primeiro, ou por ultimo, ou junto, e que era capaz de prever a imagem que apareceria. Sócrates pergunta ao seu interlocutor se o ex-prisioneiro sentiria saudade disso, ou teria inveja dos que se destacavam entre eles. Ou com ele se passaria o que está em Homero: preferiria viver trabalhando na terra, a serviço de um homem sem riquezas e vir a sofrer o que for, a voltar para aquelas ilusões e viver daquele modo.

O interlocutor diz que o prisioneiro agüentaria tudo para não viver do outro modo. E se ele descesse na caverna e voltasse para o seu lugar ficaria com os olhos obscurecidos por vir da luz do sol tão rapidamente.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

PLATÃO. A República. Tradução Carlos Alberto Nunes. Belém: EDUFPA, 2000. p.319-322.

domingo, 7 de março de 2010

Mochila

"A sabedoria não nos é dada; é preciso descobri-la por nós mesmos depois de uma viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós". (Marcel Proust, escritor francês, 1871-1922)

Resumindo: só você pode mergulhar na sua consciência e se conhecer! Prepare uma mochila para a sua viagem! Bons livros e boas músicas podem nos ajudar no processo de auto-conhecimento.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Cão de guarda ou Amigo


O filme "O caçador de pipas" baseado no livro de mesmo nome traz uma história de amizade e traição e de ternura e vigor! É preciso almejar algo transcendente para compreender o menino Hassan. Parece que ele vê mais longe que o amigo Amir.
Por que chamamos os cães de nossos melhores amigos, sobretudo quando nos decepcionamos com os seres humanos? Hassan é chamado pejorativamente de cão de guarda de Amir. Hassan sabe o que significa cumplicidade.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Ação

O filósofo estóico Epicteto nos ensinou a distinguir em todas as coisas o que depende de nós e aquilo que não depende. No primeiro caso, nada pode nos coibir, no outro estaríamos sujeitos a forças externas.

Epicteto: Filósofo grego do século I, tendência estóica e escravo na origem.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Tempo

Momento singular! Coincidência? No momento que fiz o registro, um bicho que nos faz pensar sobre o TEMPO...

Casa de Retiro São Vicente de Paulo, em Igarapé. Outubro de 2008.