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sábado, 27 de junho de 2015

Ética e os "Bobos da Corte" na Política Brasileira

Por Anderson Araújo
Espanto, terror, angústia e tristeza. É o que se sente diariamente lendo jornais, assistindo TV e acessando redes sociais. Tenta-se ver pelo lado positivo: "ah, as pessoas estão se expressando". Ou: "os jovens estão escrevendo mal, mas pelo menos escrevem". Entretanto, embora haja um acesso democrático a diversos tipos de informação, não há ética alguma na divulgação da informação.

Muitos profissionais e, principalmente alguns jornalistas, tratam o outro, o entrevistado, a vítima, o cidadão, como se fosse uma coisa, um objeto; o que assistimos a todo instante é a coisificação, a reificação do humano. Jô Soares foi execrado nas redes sociais por ter sido educado em sua entrevista com a presidente do Brasil. Artistas têm suas vidas constantemente vigiadas, suas intimidades sequestradas por câmeras e por falsos amigos. Além disso, tornou-se moda expressar que se tem "orgulho de ser hetero", ou "orgulho de ser gay". Sem falar na classificação, no mínimo "agressiva", que algumas pessoas insistem em atribuir às posições partidárias no Brasil.

Enquanto isso, nossos representantes políticos travam batalhas intensas sobre a maioridade penal e questões relativas à homofobia. E então, arma-se a tenda. E muitos da plateia "entram na briga" com os dedos no teclado ou na tela de seus celulares para destilarem o seu ódio! E quem ganha com isso? Nossos representantes políticos que mais uma vez conseguem desviar o foco da população. Brilhantes estrategistas. Sabem que o ser humano é atraído por questões afetivas, calorosas. Sabem que as pessoas se preocupam mais com aquilo que toca seus preconceitos, suas decepções, frustrações e sentimentos, do que com números e argumentações fundamentadas racionalmente. "Enquanto isso, nobre deputado, eles se esquecem do aumento da passagem, da reforma agrária e da reforma política". 

Sim, enquanto todos se "alfinetam" e se agridem com palavras e palavrões, nossos representantes políticos deixam de trabalhar com questões urgentes e que poderiam mudar o futuro do nosso país. 

Sim, temas como a homofobia e a maioridade penal devem ser discutidos, mas racionalmente, com respeito às pessoas e às diferenças. 

A homofobia é realidade. Há pessoas homofóbicas, com aversão a homossexuais, com ódio e raiva de homossexuais. Muitas chegam a agredir fisicamente homossexuais. De outro lado, temos também como realidade a prática de crimes por crianças e adolescentes. Temos relatos de pessoas que já foram agredidas, assaltadas por menores de 18 anos, e ainda mais chocante, temos notícias de crimes bárbaros que tiveram menores de 18 anos como autores ou coautores. 

Porém, há uma realidade que precisa ser debatida com mais urgência ainda. Nossas leis, quando punem, não o fazem exemplarmente. Nossas prisões, quando prendem, não são "restauradoras", não servem para reabilitar pessoas, pelo contrário, em grande medida são laboratórios ou "graduações" para criminosos. Logo, outras questões deveriam fazer parte da agenda política no momento atual, tais como: "o que o Brasil faz com seus criminosos?". "O que o Brasil deveria fazer com seus criminosos para que outras pessoas não sejam motivadas a cometer crimes?". Como "recuperar", e "de qual tipo de criminoso pode-se esperar uma recuperação?". 

As respostas para estas questões nos levariam também para soluções mais coerentes para a violência contra mulheres, negros, idosos e homossexuais. Sociologicamente, estes grupos são classificados como minorias sociais porque não têm seus direitos de cidadãos e seres humanos respeitados. Por isso temos os chamados "estatutos", leis e políticas públicas que foram criados para garantir que esses grupos sejam respeitados e tenham acesso a diversas coisas, como a universidades, por exemplo. 

Reduzir a maioridade penal num país que não "pune" exemplarmente seus maiores - definitivamente não é a solução. Reduzir a maioridade penal num país que não "restaura" a pessoa que cometeu um crime - definitivamente não é a solução. Enquanto não há punição rigorosa, há o aumento da sensação de impunidade na população. Enquanto não há "restauração" do criminoso, aumenta o ódio, a vontade de vingança, a insatisfação de se viver num país tão desigual, e, ao mesmo tempo, aumenta a vontade de levar vantagem, de ser "esperto". 

O criminoso é um ser humano. O cidadão é um ser humano. Idosos, mulheres, negros e homossexuais são seres humanos. O Jô Soares é um ser humano. A presidente do Brasil é um ser humano. As leis devem servir para promover a vida, com dignidade de todo e qualquer ser humano. Do mesmo modo, devem servir também para punir, "restaurando" todo ser humano. 

Quando o Estatuto da Criança e do Adolescente for respeitado e cumprido; quando adultos - maiores de 18 anos - forem realmente punidos pelos crimes que cometeram; quando todo tipo de crime contra a vida for exemplarmente julgado e punido; veremos que não será necessário nem reduzir a maioridade penal; nem criar leis para garantir que o direito de negros e homossexuais seja respeitado. 

Agressões verbais e físicas a homossexuais nos causam indignação. Assim como agressões verbais e promessas virtuais e reais de linchamento contra seres humanos. Parece que questões tão polêmicas e tão humanas têm servido tão somente para entreter a população, assim como os monarcas utilizavam os bobos da corte para divertir os súditos. Mas sempre foi deles mesmos que riam, quando riam do bobo. Será que somos obrigados a respeitar a agenda dos nossos representantes políticos ou deveríamos propor a agenda? Talvez seja a hora de devolver a piada e dizer que sabemos que é o nosso trabalho que constrói o país e sustenta nossos "servidores", nossos representantes que devem legislar e governar para todos, defendendo a vida e a justiça. Certamente, é o momento de propor a ética, o respeito a todo ser humano, independentemente de orientação sexual, de opção partidária e de religião.

Quem é o bobo da corte no cenário atual? Quais são os bobos da corte estrategicamente selecionados por alguns meios de comunicação e pelos principais atores políticos? Enquanto todos assistem aos espetáculos dos bobos da corte, o que fazem tantos outros políticos eleitos que, semelhantes aos monarcas, independentemente da situação econômica do nosso país, continuam ganhando seus salários milionários, continuam recebendo seus benefícios assustadoramente generosos?

Tais questões não pretendem disseminar o ódio ou a revolta contra pessoas ou grupos. São pontos de partida para reflexões sobre a alienação a que somos envolvidos no cotidiano. A partir da conscientização da real situação que vivemos, poderemos tomar decisões mais coerentes sobre a vida em sociedade, na convivência com os outros. Atitudes simples podem ser sinal do que chamamos de cidadania, a começar pelo uso ético das redes sociais. Antes de "compartilhar", veja se é verdade. Compartilhe ações afirmativas. Denuncie fatos verídicos. Leia mais de um jornal, recorra a opiniões diversas sobre um determinado tema para extrair uma conclusão. E, antes de dar a sua opinião, antes de dizer se é "contra" ou "a favor", não se esqueça de que você tem o direito de ter um tempo para pensar sobre o que acontece, e que muitas vezes, ainda não houve tempo suficiente e "informações" ou "provas" suficientes para você chegar a uma conclusão; muito menos para julgar ou incriminar alguém.
O Bobo da Corte, obra do pintor norteamericano William Merritt Chase (1849-1916)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O que passou, calou. O que virá, dirá!

Por Anderson Araújo
(Para Eli Maria)
As escolhas que fizemos no passado influenciam o presente e influenciarão o nosso futuro. Assim como muitas escolhas que outros fizeram sem o nosso assentimento ou acontecimentos que não dependeram de nossa vontade. Há fatos que têm um tempo próprio para "chegarem" e também para "passarem", quer dizer, terminarem, morrerem! Neste sentido podemos exclamar: ainda bem que passaram, que acabaram!

De um lado, lamentamos pelas vivências prazerosas e alegres que "passam" rapidamente. De outro, torcemos para que eventos "negativos" ou infelizes "passem" depressa. Assim, o que poderíamos denominar de "perfeição dos eventos", consiste nesta característica que é também própria da vida: cada coisa tem um tempo certo, um tempo "oportuno" para acontecer.

Certamente, é sinal de sabedoria conscientizar-se de que algumas coisas, eventos e até relacionamentos, morreram, passaram! A postura inversa seria continuar acreditando que certas coisas continuam existindo, e pior, insistir para que pessoas que se relacionaram conosco em outros momentos no passado tenham as mesmas atitudes e compartilhem conosco das mesmas ideias. Esquecemo-nos de que mudamos, assim como nossos amigos e as pessoas ao nosso redor. 

Enquanto conscientizar-se do "fim" ou das "mudanças" é sinal de sabedoria, a incapacidade de perceber que as coisas "passaram", produz sofrimento. Não há mais cumplicidade, não há mais palavras, não há mais "comunhão", não há mais amor. Sofre tanto aquele que insiste em vivenciar o mesmo sentimento, quanto o outro que é obrigado a expressar um sentimento que já não possui mais.

Há eventos que nos fizeram sofrer, chorar. Se já choramos e sofremos, resta-nos abandoná-los lá no passado. Se ainda continuam "falando" conosco e nos "provocando", precisamos "calá-los", pois o que passou, calou! Logo, se o que passou, ainda não calou, certamente continuarei ouvindo "vozes" e "fantasmas", chorando por algo que já tinha me causado sofrimento no passado. Estes "fantasmas" vão se tornando um peso desnecessário em nossas costas, contribuindo tão somente para um atraso em nossos projetos e sonhos. 

Os compositores Carlinhos Brown e Marisa Monte deram o título "Pra ser sincero" para a canção que traz os versos "e o que passou, calou. E o que virá, dirá". Podemos dizer que os que são sinceros têm a coragem de "calar" o que passou e são sensíveis para "escutar" o que virá no futuro. 

O que passou, precisa calar, pois somente assim poderá "vir" algo para "dizer" mais coisas em nossa vida, e para, principalmente, enriquecer a nossa vida. Portanto, acontecimentos ruins e também nossas vivências felizes precisam "silenciar" porque já "passaram". Situações de sofrimento ou de angústia devem ser lembradas somente para nos alertar sobre o risco de cometermos os mesmos erros; e os momentos felizes, estes devem ser lembrados com alegria, mas com sabedoria para refletir que foram e continuarão sendo importantes para nos motivarem a olhar para a frente, vivendo o presente, acreditando que o que virá, também dirá!

sábado, 4 de outubro de 2014

Eleições no Brasil: Terror e covardia ou Liberdade e coragem?

"Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo".
(Immanuel Kant)

Por Anderson Araújo
Muitos alunos e amigos me pediram para escrever um texto para manifestar o meu voto e fazer uma análise dos candidatos à presidência do Brasil. Alguns já sabem o nome que tem o meu apoio. E muitos sabem, principalmente, quem não tem o meu apoio.

Penso que muito mais importante do que defender uma argumentação, explicitando os feitos e fatos que me levaram a fazer a minha escolha, será provocar o meu leitor e a minha leitora a pensarem por conta própria, uma vez que esta seria a função de um filósofo ou pensador. 

O filósofo Immanuel Kant pode nos auxiliar neste texto. Para Kant, muitos se encontram no que ele chamou de "estado de menoridade". Estar nesta "situação" ou "estado" não é ter menos de 18 anos, mas se comportar como alguém que não tem condições de pensar por conta própria, que não tem capacidade de fazer o uso da razão. Logo, você se encontra neste "estado" de menoridade se você como eleitor não é capaz de fazer uso da sua própria razão para fazer suas escolhas. É cômodo deixar que as revistas, os jornais, a TV e as pesquisas de opinião pensem por você e conduzam o seu voto. Por isso, segundo Kant, quem está nesta "situação" não passa de um covarde ou preguiçoso.

De um lado, penso que há uma grande parcela de covardes por preguiça mesmo. E de outro, aqueles que não têm outra opção, não têm como ler outra revista, não têm acesso a outro tipo de informação ou a outro canal em sua TV; por isso este grupo que está fadado a ter um único ponto de vista acerca de tudo, pois não tem oportunidades ou opções, acaba se tornando vítima e não teria condições de se libertar da menoridade que se encontra, diferentemente daquela parcela preguiçosa, que não é vítima, mas covarde.

Quero, pois, pensar a respeito do que motiva a uma parcela de pessoas a disseminar, a divulgar o terror que vivemos na véspera das eleições e o que leva outras pessoas a acreditarem no terror.

Primeiramente, precisamos nos conscientizar de que o ser humano, sobretudo quando não tem como recorrer à ciência e à razão para resolver os seus problemas, acaba buscando explicações mitológicas e religiosas sobre o mundo. Neste aspecto, algumas pessoas que não têm competência e capacidade para conquistar o voto dos eleitores, começam a disseminar o terror, e junto com ele, as teorias conspiratórias. E aqui aparecem as pessoas que se encontram na situação de menoridade: apenas acreditam; não refletem, não pesquisam, não investigam. E pior: divulgam, compartilham o terror! Você já notou que quando o seu time perde um campeonato ou apenas um jogo, você tende a culpar a arbitragem, ou mesmo começa a acreditar que os jogadores venderam o resultado? 

Nós precisamos justificar a derrota, principalmente se ela tiver gerado em nós uma frustração. 

E numa eleição, quando está em jogo os meus interesses, o meu salário, o imposto de renda, o cargo que ocupo? Como as pessoas podem pensar diferente de mim? Como a maioria pode escolher X e não escolhe Y? Ah, aí surgem as teorias conspiratórias. Quando o seu candidato vence, a urna é segura, confiável. Agora, "paira no ar" a ideia de que há manipulação dos resultados das urnas. Quando o seu time vence, ele é o melhor, o jogo foi justo. Mas quando ele perde... Como justificar o fracasso e as opiniões contrárias às suas?

Você vai disseminar o terror por ser covarde ou por defender interesses próprios?

Notam-se também nestas eleições posições fundamentalistas. Muitos que criticam o fundamentalismo religioso que mata milhares de pessoas no mundo, acabam assumindo posições fundamentalistas na eleição. A pessoa que tem posição fundamentalista vê como o diabo todo aquele que se posiciona diferentemente dela, e não admite que o processo seja justo por tantas pessoas pensarem diferente dela.

Tenha a coragem de fazer o uso da sua razão e de se libertar da menoridade, para enfim, alcançar a maioridade. Ter coragem neste caso, é a capacidade de perceber o que manipula você, o que o seduz e o que "mascara" as verdadeiras intenções daqueles que desejam o seu voto. Faça a sua escolha, mesmo com riscos, mas assuma os riscos de ter pensado por conta própria. Porém, não se esqueça de que a sua escolha deveria ser feita pensando na REPÚBLICA, na "coisa pública", porque um presidente não governa apenas para um grupo ou para uma pessoa, mas para todos os cidadãos. Portanto, seria justo votar pensando em seu próprio benefício e deixar de pensar no benefício da sua nação, do seu país? Talvez você esteja num grupo que não possa ser favorecido diretamente caso determinado(a) candidato(a) vença. Você teria coragem de votar nele(a) pensando no bem-estar e na felicidade da nação?

Sendo assim, se quiser, divulgue o seu voto, o seu apoio a uma pessoa, mas racionalmente, equilibradamente, sem recorrer a teorias conspiratórias, sem disseminar o terror e o ódio. Apresente as propostas dele (a), dizendo por que é importante para o nosso país que ele (a) seja eleito (a). Não se precipite, reforçando a situação de menoridade que muitas pessoas se encontram. Tenha a coragem de buscar o esclarecimento e contribua para o esclarecimento dos outros, pois somente assim teremos uma nação melhor para todos e não apenas para alguns.

Se você pensa que o candidato que faz ataques pessoais ao invés de fazer propostas é o melhor candidato, você é livre para ser governado por alguém que você não sabe o que pretende fazer por você. Os debates para presidente demonstraram claramente isso. Tantos temas importantes para serem pensados e debatidos, entretanto, muitos preferiram o espetáculo. Lamentavelmente, quem se encontra na menoridade prefere o espetáculo porque precisa apenas assistir, enquanto que pensar por conta própria com a finalidade de compreender exige esforço, empenho e estudo.

Não penso que quem pensa diferentemente de mim representa o mal ou é covarde e estaria no estado de menoridade. Sou contra qualquer tipo de fundamentalismo, contra a política como espetáculo e defendo a democracia, ainda que, democraticamente, sejam eleitos aqueles que não escolhi. Meu julgamento é a respeito dos critérios que levam você a fazer a sua escolha. Se os seus critérios foram determinados a partir de uma lucidez e de investigação pessoal, fico feliz que você tenha chegado a um determinado candidato mesmo sendo diferente da opção que eu fiz. Porém, se a sua escolha estiver fundamentada na beleza do (a) candidato (a), nas teorias conspiratórias que favorecem apenas aqueles que querem o poder a todo custo; lamento caro leitor, você pode votar, mas ainda se encontra na situação de menoridade.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Professores e Alunos: Super-heróis ou Construtores do Conhecimento?

Por Anderson Araújo
(Para Eni Maria)
Quando comecei a lecionar me surpreendi com várias situações em sala de sala. Não é que hoje não me surpreenda mais, pelo contrário, continuo a me surpreender positivamente e negativamente. Certo dia, durante a aplicação de uma avaliação de filosofia, enquanto "passava" a lista para os alunos assinarem, notei alguns nomes diferentes ao fim da lista. Os nomes se destacavam principalmente pelo fato de serem nomes de super-heróis dos quadrinhos. 

Não vou discursar sobre o que eu "deveria" ter feito, ou o que outros professores teriam feito quanto ao gesto que de certa maneira demonstra "indisciplina" ou "descaso" dos alunos quanto à seriedade de um documento que é a lista de presença - é evidente que deixei isso claro! Apesar de tal gesto ter se manifestado apenas como "brincadeira" dos alunos, lembrei-me das crianças que, como nos ensina o filósofo Nietzsche, levam muito a sério suas brincadeiras. 

Denominar-se como super-herói significa dizer que se tem super-habilidades para lidar com determinadas situações, ou que há necessidade de super-habilidades para lidar com estas situações. Não basta "ser" humano para "ser" aluno, tem que "ser" super-herói. Tem que "ser" super-herói para estudar em escolas públicas, muitas delas pichadas, depredadas e frequentadas pelos invasores que veem nestas escolas uma oportunidade para comercializarem seus produtos e se socializarem. 

Por outro lado, será que é necessário ter super-habilidades para permanecer sentado durante um longo período para estudar, ler, interpretar, pensar, e deixar de lado o namoro, o computador, o futebol e o sofá de casa?

O assunto é complexo porque está em jogo a ressignificação de métodos de estudo, de teorias da educação que não acompanharam as mudanças tecnológicas e culturais, e neste caso cabe também perguntar: a educação deve acompanhar as mudanças tecnológicas? Em que sentido deve haver uma mudança na estrutura curricular, nos métodos de ensino e na estrutura física e material do ensino?

Se há necessidade de super-habilidades para "ser" aluno, vejo igualmente a necessidade de o professor "se tornar" um super-herói para "continuar fazendo o que faz" e, sobretudo, para acompanhar as mudanças, "se virar" para competir com o "twitter", o "facebook", o "youtube" e o "whatsApp".

Escolas "salvam" muitas crianças do tráfico, da morte precoce. Professores ainda carregam um grande significado para muitas crianças e jovens. Professores ainda são modelos para muitas crianças que veem neles, exemplos de pais, de trabalhadores e também de mestres.

Porém, enquanto há o crescimento da demanda por professores que devem "se virar" para competir com as redes sociais, para serem pais, psicólogos, pedagogos, educadores, assistentes sociais e desempenharem tantas outras funções além da construção do conhecimento, não há um crescimento da valorização desta função em nossa sociedade, sobretudo pelos nossos representantes políticos.

Acredito que os meios de comunicação e as redes sociais têm como principal função a de informar, compartilhar notícias, vídeos etc. Evidente que neste processo há também uma divulgação de conhecimento, ou talvez uma "construção" de conhecimento. Mas em geral o que notamos é um excesso de informação. Assim, encontramos na sala de aula, alunos que sabem falar sobre tudo, mas que não têm conhecimento sobre nada. Seus discursos não se sustentam, não conseguem manter um debate porque não leram um livro, não pesquisaram sobre o assunto, não "construíram" o conhecimento, porque receberam informações desenfreadas e irrefletidas através das "redes". 

Com isto, não estou desvalorizando a tecnologia, nem desprezando os instrumentos que muito nos ajudam a compartilhar o conhecimento. Como professor posso utilizar o twitter ou o google em sala de aula para uma pesquisa com meus alunos, e o youtube como fonte e ilustração a respeito de um tema, ou mesmo como complemento das aulas. O que quero enfatizar é a necessidade do professor, a importância do professor, daquele que estudou, se debruçou sobre livros, ideias, autores, teorias, enfim, daquele que se cultivou nas artes, na história e no conhecimento para poder construir, juntamente com seus alunos, o conhecimento. 

O computador é interessante: é fácil mudar de vídeo quando algo nos desagrada, ou trocar de música, ver uma foto ou outra, conversar com pessoas diferentes ao mesmo tempo enquanto vemos televisão. Mas ainda não inventaram algo melhor que o "ser" humano para "mediar" o conhecimento. Como "construir" o conhecimento com apenas alguns caracteres? Como "formar-se" apenas através de notícias de hora em hora comumente divulgadas pelas tv's e redes sociais? Você deseja apenas informar-se, ou também formar-se?

Se há uma desvalorização do professor por parte da nossa política, há também, na mesma medida, uma desvalorização do aluno e do estudante. 

Nesta história, percebo que não se pode intitular nem o professor, nem o aluno como super-herói. Ambos são vítimas de um sistema histórico que desvaloriza o "ser" humano. Precisamos disseminar a importância da construção do conhecimento, e não apenas da construção de coisas, mesmo porque esta última depende da primeira. 

Constata-se que professores e alunos são vítimas. Mas vítimas de quem? Seria fácil mergulhar num processo de vitimização, responsabilizando apenas nossos representantes políticos por isso. Cabe a cada pessoa conscientizar-se das suas escolhas, daquilo que cada um elege para si como prioridade. E, em que medida espera-se e há um desejo legítimo de libertação do oprimido, como escreveu o educador Paulo Freire. E, se o oprimido não se sabe oprimido, como libertá-lo desta opressão? Quem, melhor do que aqueles que ensinam a ler, a escrever, e a interpretar o mundo? 

(Marvel Comics)

sábado, 27 de julho de 2013

Sim, nós podemos!

Por Anderson Araújo
(Para Benjamim e Chico Pinheiro)
Sim, nós podemos: gritar "é campeão!"
Porque nosso grito nasce no peito preto e branco, incansável, a bombear o sangue alvinegro: o sangue de Dario, o sangue de Reinaldo!
Sim, nós podemos: cantar "vou festejar!"
Porque nossa festa é desmedida igual ao nosso amor pelo Atlético! 
Sem medida, sem cálculo do número de títulos, de vitórias ou de derrotas.
Porque nós somos atleticanos e isso basta!
Sim, nós podemos: amar o título de Campeão da América!
Porque não se trata de apenas mais um título, não se trata de matemática!
Trata-se de paixão! 
Sim, nós podemos: soltar fogos de hora em hora!
Porque o Galo canta quando quer, e anuncia com seu canto que é dia na América, e que o Sol brilha como nunca no Planeta Terra!
Sim, nós podemos: dizer que não torcemos para um time, mas apenas "somos atleticanos".
Porque ser atleticano é viver intensamente a paixão de ser alvinegro, de ser preto e branco!
Sim, nós podemos: gritar "galo doido"! Porque é comum denominar de "doido" aquele que vivencia suas emoções desmedidamente!
Sim, somente nós podemos: cantar "Somos Campeões do Gelo e da América"!
Porque somos uma nação que canta apesar do frio, com o frio; no gelo, na terra, que canta sempre: "Vencer, vencer, este é o nosso ideal"!
Sim, nós podemos: carregar no coração alvinegro:
a raça de Diego Tardelli, 
a inteligência de Ronaldinho, 
a santidade de Victor, 
o encantamento de Bernard, 
a artilharia de Jô, 
a bravura de Pierre, 
a audácia de Réver,
o grito de Leo Silva,
a força de Leandro Donizete,
a confiança de Guilherme,
a paixão de Luan,
a superação de Marcos Rocha,
a experiência de Gilberto Silva,
a competência de Kalil,
e a fé do Cuca.
Sim, nós podemos: nosso time é imortal!
Foto de Rodrigo Clemente/E.M


terça-feira, 25 de junho de 2013

A "energia política" dos protestos: coerências e incoerências

Por Anderson Araújo
No país do futebol, o brasileiro deixa o campo e vai às ruas! As manifestações começaram com o objetivo de reduzir a tarifa do transporte coletivo. Objetivo legítimo, manifesto pacífico também legítimo e, para nossa surpresa, objetivo alcançado! Está aí, exercício da democracia; se nossos representantes não nos representam, protestamos!

Entretanto, é hora de parar e pensar. É o momento de avaliar, analisar e decidir se estas manifestações devem continuar. Sim, a demanda é enorme: hospitais, saúde, melhoria do transporte público, a CORRUPÇÃO. Parece-me que as manifestações perderam o foco, viraram modismo, e o pior, deram espaço para oportunistas, pessoas que não lutam pelo país, mas tão somente pela sua carreira... política! Prova disso é o fato de tomarem um partido ou cargo político, mais especificamente, a presidenta da república como "bode expiatório". 

Um povo carente e cansado de ser enganado, continua sendo manipulado! A rima se justifica por alguns motivos: 

1) As manifestações começaram com um objetivo específico que foi alcançado. 
2) O ano de 2014 é um ano de eleições no Brasil, e não apenas de Copa do Mundo.
3) O brasileiro participa, de certo modo, do que em sociologia chamamos de mobilidade social, que seria a mudança de posição social do cidadão, ou pelo menos, o acesso a bens e serviços de qualidade que até então somente uma determinada classe de pessoas tinha.
4) A quem interessa a mobilidade social?
5) A quem não interessa a mobilidade social?
6) O governo federal criou novas universidades e aumentou consideravelmente o número de vagas nas universidades.
7) Facilitou o acesso do estudante de escola pública às universidades federais e particulares.
8) O governo federal anunciou que o pré-sal é do Brasil e que todo o dinheiro do pré-sal é para o brasileiro! (Nota-se que não se fala em privatização, ou permissão aos Estados Unidos da América para explorar o que é do brasileiro). Ah, fala-se em investir 100% dos royalties do petróleo na EDUCAÇÃO. 
9) A quem interessa ter todo este investimento na EDUCAÇÃO?
10) A quem NÃO interessa ter todo este investimento na EDUCAÇÃO?
11) As manifestações perderam o foco, os protestos são contra tudo!
12) As manifestações se intitulam apartidárias, sem influências de partidos. Você acredita nisso?

Entendo que todos os motivos supracitados merecem maiores esclarecimentos. Será que os protestos continuam coerentes? Nota-se que em nome da democracia, alguns grupos se tornam até antidemocráticos  ao pedirem o fim de partidos. Se não há partidos, há o quê? Ditadura! Há partidos porque há liberdade, liberdade para gostar de azul ou de branco, para apoiar o verde ou o vermelho, porque temos o direito de escolhermos quem vai nos representar.

As manifestações pacíficas conseguiram provocar a presidenta que prometeu não medir esforços para fazer o possível como presidenta para atender as solicitações das manifestações. Independentemente de partido político, somente o (a) Presidente da República não vai resolver o problema de todos os municípios, de todos os brasileiros. O Aécio não resolveria, Fernando Henrique Cardoso também não,  nem o Obama.

Não queremos a ditadura. Se você for às ruas para protestar, "investigue", se "informe" a respeito das pessoas que estão organizando o protesto. Veja se há um objetivo específico. As demandas são muitas, mas não resolveremos todos os problemas do país em algumas semanas de protestos. Alguns problemas são locais e os seus vereadores devem responder por isso, vá até eles. Assista às plenárias, as reuniões dos vereadores, dos deputados, investigue, proteste junto a eles no cotidiano. Estude. Leia. Pergunte. 

E o mais importante: não lute contra você mesmo nas ruas. Não lute contra os seus direitos. Não utilize a violência. Não negue a sua identidade. Vamos protestar, mas com consciência, sem ser usado por pessoas que sempre estiveram no poder, que sempre usufruíram dos benefícios do poder e hoje se incomodam com a mobilidade social, que hoje se incomodam ao verem o acesso do pobre às universidades federais, aos aeroportos, à cultura e a bens e a serviços que antes era restrito a um grupo "seleto" de pessoas. É fato que demandas consideradas essenciais ainda não são atendidas, como as da saúde. Mas o governo já foi "provocado" e passa a agir em caráter emergencial para resolver estas demandas.

Vamos aproveitar esta "energia política" para analisarmos, estudarmos, para continuarmos no exercício da democracia mais conscientemente, sobretudo através do voto. Aprendemos que o protesto pode nos garantir alguns direitos.  Mas não o protesto contra tudo e contra todos. Aprendemos que protestar contra tudo é o mesmo que protestar contra nada. Certamente, nossos direitos serão mais respeitados quando aprendermos a votar. Seguir a moda, simplesmente para "estar na moda" é o que o poeta Carlos Drummond dizia "é duro estar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade" e pior, você acaba sendo marionete nas mãos de uma "marca", quer dizer, de um "partido".

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Protestos no Brasil, o "início de alguma coisa"

Por Anderson Araújo

Há cerca de 15 dias escrevi o texto "imaginações constrangedoras". Naquele texto, quis desabafar a minha angústia de assistir a uma realidade, no mínimo 'estranha', uma "Copa padrão FIFA" num país rico, com hospitais e escolas de padrão MISERÁVEL. De fato me sentia constrangido por não encontrar motivos para participar da "festa", quer dizer, da Copa das Confederações. No texto eu ainda destacava o "lado" positivo desta "festa": despertar o brasileiro, mostrar ao brasileiro que não somos pobres, mas mal representados!

Percebo com alegria que algumas das minhas imaginações deixaram de ser constrangedoras e tomaram as ruas através de cartazes, vozes, músicas e pés de milhares de brasileiros. Percebo com alegria que o brasileiro não se sentiu nem um pouco constrangido em ir às ruas e passar horas fora de casa, longe do facebook e do twitter, 'somente' para PROTESTAR! 

"Saímos do facebook" - são os dizeres de milhares de brasileiros, reproduzidos em cartazes e na pele dos filhos do Brasil que não fogem à luta! Por que fomos para as ruas? Porque cansamos de "assistir" a toda hipocrisia quase legalizada pelos nossos representantes políticos! Porque notamos que, se podemos construir estádios maravilhosos, também podemos construir escolas e hospitais. Porque percebemos que se podemos sediar uma Copa, também podemos melhorar o transporte público. Porque aprendemos com estádios "padrão FIFA" que o problema do Brasil não é falta de dinheiro!

"Saímos do twitter" porque nos engasgamos com uma Copa rica, entretanto doente e sem educação. Nossos olhares se deslumbraram com a beleza dos estádios, mas choraram com o descaso histórico dos representantes políticos com o brasileiro cansado de pagar impostos. 

Fomos às ruas porque não nos sentimos REPRESENTADOS, nem pelo partido X, nem pelo Y. Estamos nas ruas porque queremos realmente viver num país democrático, onde a voz da maioria seja ouvida, onde a  necessidade da maioria seja respeitada. Protestamos porque já não toleramos mais a impunidade, já não suportamos mais o "jeitinho brasileiro" comumente praticado pelos nossos políticos. Queremos divulgar para o mundo o "jeitão brasileiro": nossa arte, nossa natureza e nosso trabalho com honestidade e transparência! 

As ruas de todo o Brasil demonstraram nos últimos dias que necessitamos de muita coisa; que muitos ainda não sabem exatamente o que precisam, mas têm certeza de que "precisam", de que lhes faltam algo, e principalmente, merecem algo melhor do nosso país! Todos temos a certeza de que não queremos pessoas que legislem em benefício próprio! Os estádios "exalaram" um odor desagradável, provocando enjoos e vômitos pelas ruas do Brasil...

Não sabemos o que tudo isso provocará no futuro do nosso país, e qual a verdadeira dimensão desses manifestos, mas parafraseando o filósofo Deleuze, eu diria que o que conta é que estamos no início de alguma coisa!

(Fernando Birri citado por Eduardo Galeano)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Imaginações Constrangedoras

Por Anderson Araújo
(Para Guilherme Colombini  e Wanessa Lima)
Há meses pretendo escrever sobre o que penso em relação ao Brasil nas vésperas da Copa das Confederações, sobre este Brasil que se prepara para sediar uma Copa do Mundo. Não gostaria de ser desagradável, pessimista, alguém que não consegue perceber "o lado bom" das coisas. Sempre tento dar um novo significado às coisas que me aparecem como "feias", "tristes", "negativas", postura que aprendi lendo o filósofo Nietzsche.

Todo mundo já deve ter pronunciado a frase "imagina na Copa?" alguma vez nos últimos meses. Principalmente em conversas sobre trânsito, filas, comércio, hospedagens, e agora sobre os estádios, quer dizer, ARENAS "padrão FIFA". 

Perdoem-me, mas quem não se "impactou" ou não se sentiu "incomodado" com o valor gasto nas obras dos estádios, não tem consciência de como vivem ou sobrevivem milhões de brasileiros. Dinheiro público investido em "arenas". Sim, há melhorias que veremos a médio ou longo prazo, como algumas modificações no trânsito, implantação de "BRT" etc, mas pouco significativas diante da carência do povo brasileiro. 

Continuo tentando ver o "lado bom", porém, até as entrevistas do técnico da Seleção Brasileira de Futebol, desde o anúncio da sua contratação conseguiram "atrapalhar" ainda mais a "festa", mostrando-se sempre mal-educado, ensinando com isso que um técnico, um chefe, um líder autoritário, não pode ser questionado, não aceita opiniões e que, independentemente dos resultados, vai se manter no "cargo". 

As propagandas tentam constranger todos os críticos desse evento que o Brasil vai sediar. Elas sugerem que pessoas que perguntam "imagina na Copa?" são pessimistas, "gente" que não gosta de festa. 

Imagina a festa dos grandes empresários, dos nossos representantes políticos e das empresas que financiam o espetáculo; imagina a festa das empresas que já administram estádios "padrão FIFA" reformados e construídos com dinheiro público... 

Que festa vai fazer o trabalhador que, após um longo dia de trabalho, continuará enfrentando um trânsito desumano na volta para casa? A verdadeira questão deveria ser: "Quem terá condições de participar dessa 'festa' que vem sendo planejada com tanto empenho pelos nossos representantes políticos e pelas empresas?"

Nesta minha tentativa de abordar o assunto sem ser constrangido pelas propagandas que me impedem de ser pessimista em relação à "festa", consegui dar um novo significado e ver o "lado bom" desse evento. Notei que todas os preparativos para a "festa", inauguração de estádios, e obras que se estenderão até 2014, servem para "impactar", ou em outras palavras, "acordar" todos aqueles que ainda não perceberam a capacidade que o Brasil tem de ser um país melhor. Indiscutivelmente o Brasil tem muita gente com disposição para trabalhar, construir, ajudar, e de melhorar a situação do seu próprio país e tem hoje, ao contrário de muitos países que vivem uma enorme crise financeira, dinheiro e investimento de grandes empresas!

Imagina se os nossos governantes se esforçassem para reformar e construir, creches, escolas e hospitais? Imagina a festa!

Imagina se fossem criadas várias equipes e comissões para investigarem efetivamente o funcionamento das nossas escolas e dos nossos hospitais? Imagina a festa!

Imagina se o Estado fizesse uma parceria com as empresas para construir escolas e hospitais? Imagina a festa!

Imagina se nós, brasileiros, tivéssemos realmente um espírito nacionalista e fizéssemos reivindicações pela saúde e pela educação aos representantes que elegemos? Imagina a festa!

Imagina se nós tivéssemos tanto interesse pelo desempenho dos nossos representantes políticos igual ao que temos pelo desempenho da Seleção Brasileira de Futebol? Imagina a festa!

Imagina se milhares de brasileiros deixassem de sofrer e de morrer nas filas de hospitais? Imagina a festa!

Imagina se você tivesse uma escola pública de qualidade que lhe capacitasse para entrar numa Universidade Federal sem ser necessária uma política de cotas? Imagina a festa!

Imagina se os impostos que o brasileiro paga todos os dias se transformassem em serviços gratuitos de qualidade para o brasileiro? Imagina a festa!

Constrangimento é imaginar que só poderemos fazer a festa no período da Copa do Mundo!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Humanidade na Renúncia do Papa

Por Anderson Araújo
A renúncia do Papa Bento XVI pegou não apenas o "povo" de surpresa, mas também a Igreja Católica no mundo inteiro. A infalibilidade papal pode significar outras coisas no âmbito político e religioso, mas para mim tem mais a ver com humanidade. Independentemente dos motivos que levaram Bento XVI a renunciar, e independentemente de você ser católico ou não, e de o Papa significar alguma coisa pra você, certamente este "evento" tem muito a nos dizer. 

Como líder religioso, influencia, embora com menos intensidade do que no passado, mesmo países e povos que não são considerados católicos. O Papa, sobretudo a partir de João Paulo II, passou a ser um "mediador" não somente entre os homens e Deus, mas principalmente um mediador de conflitos entre os homens, função que João Paulo II tentou desempenhar em alguns momentos. 

De um lado esta renúncia provoca nas pessoas, mesmo naquelas que não são católicas, uma sensação de desamparo, desolação! "Um líder renunciar?" Ou, em outras palavras, "desistir"? As pessoas não se cansam de procurar em seus líderes religiosos, consolo, setas, ou caminhos que levem-nas a encontrar a paz, o consolo e até mesmo a salvação da alma. 

De outro lado, a declaração de Bento XVI me soa bastante humana, demasiada humana. É como se ele dissesse: "sou homem, humano, falível, ao contrário do que boa parte das pessoas pensam". "Tenho medo, também fico doente". "Envelheço". "Sinto-me fraco também na velhice". E talvez Bento XVI pretenderia dizer também que: "me sinto só", "me sinto algumas vezes desolado, sem Deus". 

Sua renúncia, Bento XVI, poderia significar não apenas discordância entre o senhor e os membros da Igreja, o que seria apenas uma discordância política, teológica e ideológica. Poderia significar também: "Cansei, não dou conta mais, é muita violência, é muita desumanidade, é muito egoísmo no mundo, não dou conta mais de 'representar' aquele que daria conta de carregar tudo isso". 

Para mim, volto a dizer, independente das causas que motivaram esta decisão, a voz de Bento XVI significa a voz dos excluídos, dos miseráveis, daqueles que sofrem, que imploram por ajuda, e mesmo das pessoas que têm tudo, bens materiais, emprego, sucesso, carreira, mas não têm amor, não se sentem amadas, enfim, que diversas vezes têm vontade de dizer: "não dou conta mais". "Cansei". "Sou humano". 

Muitos líderes, religiosos, chefes, pais de família e muita gente que ocupa posições de destaque, ou cargos de responsabilidade e de "poder" já tiveram e terão vontade de renunciar. Ter esta vontade ou realizá-la me soa muito humano. Talvez um dos muitos ensinamentos que este evento a princípio nos traz é este: somos falíveis, somos humanos, amamos, sonhamos, conquistamos, trabalhamos, lutamos, e queremos o melhor para o mundo e para nós, mas também cansamos, sofremos, e "desistimos". E isso não prova que você não esteja preparado para liderar, mas que você entende de gente, entende de humanidade.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Mineirão, Futebol e Educação

Por Anderson Araújo
O Oswaldo Montenegro disse em uma palestra que brasileiro entende de futebol porque acompanha futebol. Se acompanhasse a política e a economia também entenderia de política e economia. Complemento: analfabetos, pessoas com pouca escolaridade, graduados, doutores etc, todos não apenas acompanham futebol, mas são apaixonados por futebol. É verdade que esta paixão possui gradações: alguns se apaixonam, matam e morrem pela paixão, outros apenas são fiéis, cúmplices da sua paixão, e este último 'tipo' de paixão já seria bastante interessante e saudável.

Há algum tempo me sinto incomodado com os anúncios dos projetos para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Há algum tempo me sinto apaixonado pelo futebol. Há algum tempo me sinto também frustrado com o futebol. Temos "o Brasil em obras" voltado para um evento mundial que é a Copa. Tais obras certamente serão benéficas para a população brasileira: expansão de metrôs, rodovias, criação e reforma de estádios etc.

Mas me preocupo muito e me envergonho quando vejo empresas privadas lucrando escandalosamente com um espetáculo mundial que ocorrerá no Brasil. Rodovias e estádios de futebol é muito pouco para um povo tão carente e sofrido como o povo brasileiro. Cada lar de família brasileira já deve ter visto um parente ou amigo morrer por falta de atendimento ou tratamento médico. Muitos brasileiros sofrem com passagens caras e viagens longas no transporte público. E a educação? Parece que falar em educação no Brasil é um mantra que anestesia ainda mais o povo brasileiro e que se tornou piada nos ouvidos dos nossos parlamentares.

Já escrevi em outros textos que futebol liberta, educa, restaura muita gente. Muita criança só vai à escola por causa do futebol. Muita criança só estuda porque precisa ter boas notas para continuar na "escolinha" de futebol. 

Em Minas Gerais há três grandes Clubes de futebol: AméricaAtlético e Cruzeiro. Grande rivalidade, sobretudo entre atleticanos e cruzeirenses, cada torcida tem o seu jeito peculiar de torcer e falar do seu time. Apesar de possuírem as maiores torcidas e mais títulos que o América, nem o galo e nem a raposa possui um estádio. O Galo joga na "Arena" Independência, e o Cruzeiro vai jogar no Mineirão, ambos por tempo determinado, determinado por empresas privadas! É verdade que a Arena Independência pertence ao América, mas é administrado por uma empresa privada. 

Há alguns dias a imprensa mineira vem debatendo um problema: - Se os clássicos no Mineirão serão de torcida única ou de torcida dupla.  O problema não é simples. Não é apenas uma questão de contrato ou de segurança. Hoje eu ouvi o presidente do Clube Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, em entrevista ao repórter Bruno Azevedo, na rádio Itatiaia falar a respeito desse assunto. Idiossincraticamente, o presidente Kalil confirmou o que me incomoda: "O mineirão não é dos mineiros. O Atlético e o Cruzeiro são dos mineiros. O mineirão é de uma empresa privada que quer liquidar o futebol mineiro"

O Alexandre Kalil disse em tom de desabafo sobretudo para mostrar que não é simplesmente uma questão de "quem manda aqui é o Atlético ou é o Cruzeiro", mas sim uma questão política que envolve muito dinheiro que não será nem dos Clubes Mineiros nem do governo de Minas Gerais, mas da empresa Minas Arena. Nesse sentido, Kalil disse: "O Mineirão é o orgulho de uma construtora, da Minas Arena, não é orgulho dos Mineiros... o Mineirão é de uma empresa privada, não é dos Mineiros".

Como torcedor quero expressar o que penso a respeito do problema torcida única ou dupla. Primeiramente sobre o Independência: É IMPOSSÍVEL um clássico Atlético X Cruzeiro de torcida única. Não há segurança no trajeto do centro da cidade até o estádio, além de a localização do estádio ser mais favorável para o embate entre torcidas rivais, principalmente porque o seu entorno é tomado por residências. O metrô que seria o meio mais fácil de acesso ao estádio não comportaria duas torcidas em dia de clássico, certamente haveria tragédia! Quanto ao Mineirão, tradicionalmente comportou duas torcidas em dias de clássico. Para isso demanda muito trabalho, esforço, planejamento e estratégia por parte da polícia, do governo e dos dirigentes dos Clubes para "garantir" a paz entre os torcedores.

Vou anestesiar os ouvidos de alguns e soltar uma piada nos ouvidos de outros. Mas penso que o problema não é a segurança, mas a EDUCAÇÃO. Muitos torcedores esquecem-se de que são humanos e de que os torcedores rivais também são humanos em dias de clássico. 

Uma amiga me disse que o Lula "deu" a comida para o povo brasileiro ao tirar milhares da miséria. E agora é a vez da Dilma de "dar" educação. Se não deram isso efetivamente, independentemente da nossa empatia por estas personalidades, com certeza deram passos significativos para o fim da miséria e o crescimento das Universidades. Estudar de "barriga vazia" não dá. O que você vai pensar com fome? Em política, respeito, cidadania? Não, você vai pensar apenas em pão, carne, bolo etc! O brasileiro está comendo mais e melhor. Houve um crescimento das vagas nas Universidades Federais. Mas não apenas a Dilma, todos os nossos políticos precisam se preocupar ainda mais com as escolas e com a educação em geral, da creche ao ensino superior. Mais livro para os alunos, mais escolas, mais formação para os professores, e um salário que não HUMILHE os educadores - e quando isso estiver em primeiro lugar - talvez será mais fácil falar em segurança nos dias de clássico, será mais fácil "ensinar" a consumir, ensinar a votar, ensinar a comer, enfim, ensinar a RESPEITAR! 

O Kalil me incomodou ainda mais. Falar que o MINEIRÃO não é dos MINEIROS é falar que o BRASIL não é dos BRASILEIROS. Que os dirigentes do futebol mineiro, nossos parlamentares e o governador de MG resgatem o que pertence aos mineiros! 


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nós não estamos prontos

Por Anderson Araújo
É difícil definir exatamente o que estamos sentindo numa época que ocorrem mudanças tão rápidas! Não dá tempo para sentir o presente, nem a dor, nem a alegria. O mesmo telejornal que anuncia a morte de alguém, também anuncia em instantes, o nascimento e a vida. O mesmo programa que incentiva as pessoas a praticarem esportes, também incentiva o consumismo. Já notaram a quantidade de programas relacionados à culinária? Somos pressionados: a comer, a consumir, a correr, a economizar e, a amar. 

Notem que somos "pressionados", intimidados a seguir o "rebanho", ou se quiserem, a "massa". Celulares e carros descartáveis. Precisamos estudar, fazer concursos, bater recordes, superar metas e também amar. Uma sociedade que incentiva o consumo não nos ensina a amar, não nos ensina a sermos "inteiros". Nesta sociedade de revistas eletrônicas somos apenas marionetes, jogados aqui e ali para comprar!

Se nós, adultos, temos "pouco" tempo ou poucas condições de refletirmos sobre tudo o que está ocorrendo, como uma criança poderá, sozinha, pensar sobre as armadilhas da TV, da internet e das redes sociais? Muitos pais estão abandonando seus filhos em casa, "seguros", diante da TV e dos computadores. Não há pessoa alguma ao lado delas para dizer que a propaganda é enganosa, não há ninguém perto delas para dizer que você não vai ficar tão bonita quanto aquela atriz se você usar aquele produto. É o pai, a mãe, ou o "cuidador" que vai situar a criança na vida "como ela é". 

E a "vida como ela é" exige esforço, treino, dedicação, trabalho e transpiração caso você queira comprar coisas, emagrecer, ganhar massa, formar-se e ter uma profissão. A vida é dor e alegria, nascimento e morte. Não somos personagens de desenhos animados: nós nos machucamos quando caímos. Sentimos tristeza. Sofremos com a morte dos outros, sofremos com a dor dos outros ao nosso redor. A dor provoca tristeza, mas é um sentimento que nos aproxima de nós mesmos e daqueles que realmente são significativos em nossas vidas. É importante SENTIR. 

Quantos lutos não vividos, não sentidos... 

Nesta obrigação de sermos felizes a todo custo vamos distanciando-nos de nós mesmos, dos nossos amigos, dos nossos pais e dos nossos filhos. A felicidade que as revistas e os programas de TV mostram é uma felicidade "instantânea", "imediata". O que nos ensinam é que há apenas um modelo de felicidade. E, ao seguir este modelo, você deve consumir. Mas não existe apenas um meio de ser feliz ou um caminho para a felicidade. A sua felicidade deve ser construída, inventada por você. Não há receita, não há modelo. Assim, para uma pessoa a felicidade pode consistir em diversos projetos de vida. Enquanto para outra não é necessário um projeto de vida, mas apenas viver o presente. 

José pode ser feliz cuidando da terra, plantando, colhendo ou capinando um lote. Maria pode ser feliz cozinhando para uma família ou para seus filhos. João encontra a sua felicidade jogando bola com os seus amigos. Luiz se realiza cuidando da segurança da sua cidade. Caetano se sente feliz compondo e cantando. Neste sentido, a felicidade de algumas pessoas consiste em contribuir para a felicidade dos outros, ou não. O mais importante é perceber que cada pessoa é livre para encontrar o seu caminho, para encontrar a sua felicidade, seja na TV, no futebol, na empresa ou na escola. E que se é livre mesmo quando escolhemos trilhar os caminhos que os outros fizeram para nós. 

Por isso o maior desafio para todos é, antes de educar o outro, educar-se. Educar-se significa também estar preparado para perceber que não estamos "prontos". Estamos "em construção" constante. Não somos perfeitos. Somos suscetíveis e influenciáveis. Daí a necessidade de abrir a mente para outras perspectivas, para novas leituras, viagens e conhecimentos. Se estamos "em construção", estamos aprendendo a amar também. Sentimos raiva, dor, amor, alegria e tristeza. Decepcionamo-nos e decepcionamos os outros. Mas podemos nos tornar pessoas melhores. Conscientizar-se disso pode tornar a construção mais forte. Saber disso pode nos ajudar a perceber as pressões externas e a fugir delas. Conscientizar-se disso pode nos ensinar a amar. 

É neste processo de formação de si mesmo que o pai, a mãe e o educador vão se tornar "preparados" para educar. O carinho, o amor e a presença dos pais tornam-se mais importantes do que o presente. Tomar sorvete na praça é mais barato. Além disso, na praça você está mais presente do que no shopping. Assistir ao pôr-do-sol leva você para dentro de si mesmo. Ir ao shopping pode ser divertido mas leva você para fora de si mesmo. Consumir "doses" de felicidade custa caro, enquanto não é necessário pagar para amar.




segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os Vilões e a Coragem

Por Anderson Araújo
(Para Daniel Campos)

Nossos sentimentos e nossas paixões tendem quase sempre ao excesso ou à deficiência (falta). Em relação à coragem não seria diferente. O filósofo Aristóteles classifica a coragem como virtude entre dois vícios. A deficiência ou falta de coragem denomina-se covardia. E o excesso de coragem pode ser classificado como temeridade. É covarde todo aquele que não consegue enfrentar o seu medo e deixa-se paralisar pelo sentimento de medo. O excesso de coragem também é ruim, pois aquele que age sem temer a nada, põe a sua vida em risco por motivo algum, torna-se temerário.

Desse modo, é necessário o medo na ação para que ela possa ser considerada corajosa, sobretudo na coragem heróica. O herói não é aquele que não tem medo ou que age sem medo. O herói é aquele que enfrenta o seu medo, coloca a sua vida em risco para o benefício do outro, para salvar o outro. 

Por isso poderíamos dizer que os super-heróis não são corajosos? Os seres humanos são corajosos. O super-herói em geral, dos quadrinhos e do cinema, não coloca a sua vida em risco. Ele teria uma atitude do herói: a  ação voltada para o benefício dos outros. Mas quando, por exemplo, o super-homem entra num prédio em chamas para salvar uma pessoa, ele sabe que não há risco nesta ação. Por outro lado, um homem, que pode ser um bombeiro, quando entra num prédio em chamas, coloca a sua vida em risco para salvar a vida dos outros. Logo, neste caso vemos uma ação corajosa.

Nos últimos dias aprendi com um aluno durante uma aula sobre o tema em questão, outra perspectiva, outra leitura da ação do super-herói, que até então não havia parado para pensar, nem havia percebido. Os vilões, os monstros etc, atuam com a função de fazer, de tornar o super-herói corajoso. Pois se o prédio em chamas não traz medo ao super-homem, um vilão mais forte ou com criptonita certamente faz com que o super-homem coloque a sua vida em risco para salvar uma pessoa. Os vilões fazem com que os super-heróis se superem, enfrentem grandes desafios.

Pode-se também classificar os super-heróis como virtuosos e principalmente, corajosos, mantendo as duas características: o agente deve colocar a sua vida em risco para salvar o outro. Aprendi a reconhecer a "função", o "papel" dos "vilões" não apenas na vida dos super-heróis, mas também na vida dos seres humanos, a fome, o desemprego, a doença, a corrupção principalmente no Brasil, são "vilões" e fazem com que nos tornemos ainda mais corajosos quando enfrentamos todos esses desafios. Neste sentido, podemos continuar a reflexão sobre o assunto citando Guimarães Rosa: "O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem"

domingo, 1 de julho de 2012

Vestibular UFMG 2013



Textos de FILOSOFIA indicados ao vestibular da UFMG 2013

Texto 1: Platão. Eutidemo. Tradução de Maura Iglésias. São Paulo: Loyola, 2011.

Texto 2: HUME, David. “Do Padrão do Gosto” In: Ensaios morais, políticos e literários (Coleção Os Pensadores). Tradução de João Paulo Gomes Monteiro e Armando Mora D’Oliveira. São Paulo: Abril Cultural, 1992, p. 261-271 (diversas edições).

Texto 3: RUSSELL, Bertrand. Os Problemas da Filosofia (Capítulo 12, intitulado “Verdade e Falsidade”). Tradução de Jaimir Conte. Florianópolis, 2005. Disponível online no endereço: http://www.cfh.ufsc.br/~conte/russell.html

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Provocações Filosóficas e os Direitos dos Animais


Por Anderson Araújo
(Para Thaís  Rodrigues  e Michelle Santos)

Naquela aula estudávamos um texto relacionado à "Ética e os direitos dos animais". Tínhamos que pensar primeiramente na posição de alguns filósofos da História da Filosofia sobre o tema em questão. Aristóteles, René Descartes, Kant e a filosofia utilitarista nos serviram de base para iniciarmos as discussões. 

As problematizações começaram a aparecer. Será que os animais não humanos têm alma? Consciência? Memória? Quais os critérios que nos permitem defender a vida dos animais, e mais precisamente o direito a continuarem vivendo? Quais são as principais diferenças entre os animais e os homens? Algumas dessas diferenças nos permitiriam estabelecer uma hierarquia entre nós, animais humanos e os outros animais não humanos?

Como podemos defender os nossos hábitos de matarmos os animais para nos alimentarmos deles? Em que sentido poderíamos justificar esta ação? Alguns teóricos defendem esta ação apenas com a finalidade de "matar" a fome humana em condições limites de sobrevivência, como por exemplo na ausência de qualquer alimento, no caso de uma sobrevivência na natureza selvagem. Nesta perspectiva, como somos capazes de plantar e colher, cultivar legumes e verduras, fazer bolo, queijo e biscoitos com leite de todos os tipos, não seria necessário matar um porco, um boi ou pato para nos alimentarmos deles.

Há também aqueles que defendem o consumo apenas da carne do animal que não sofre ao morrer. Neste caso, poderíamos pensar no modo como os animais são mortos, e ainda, se há algum animal que não sofre ao morrer, ou seja, que não sente dor aos ser morto por algo ou alguém. Não vou entrar aqui nas particularidades deste tema tão complexo e discutido sobretudo por vegetarianos e por alguns pensadores, por exemplo, o filósofo Peter Singer. 

Ser vegetariano ou não? Esta é UMA das PROVOCAÇÕES que tenho feito aos meus alunos nas aulas sobre este tema. A questão motivadora deste texto é a pergunta que uma aluna me fez relacionada a este assunto e à filosofia geral. Primeiro, o fato de eu não ser um vegetariano. Segundo, o fato de eu, um professor de filosofia levantar tantos problemas sobre a vida, uma vez que já temos tantos problemas. 

A pergunta desta minha nobre aluna me incomodou, assim como o tema vem causando incômodo aos meus alunos. Principalmente porque vivemos numa cultura que popularizou os churrascos e churrasquinhos.

Como educador, pensador e professor de filosofia, tenho a dizer que a minha função é de fazer provocações. Ainda que eu não seja um vegetariano, tenho que fazer algumas problematizações. Provocar os meus alunos, pois é isso que a filosofia faz com o estudante. Algumas vezes eu terei que assumir, inclusive, uma posição contrária à minha para defender o ponto de vista ou a teoria de um filósofo. Com a filosofia aprendemos a provocar e a fazer investigações a partir das provocações que recebemos dos pensadores. Sinto-me também incomodado com o fato de comer carne animal. Talvez esta problematização nos sirva para repensarmos os nossos hábitos. Para  pelo menos diminuirmos o nosso consumo de carne e comer mais frutas e grãos, tomar leite e seus derivados... E devemos, ainda que não sejamos vegetarianos, pensar no modo como enxergamos os animais não humanos. 

O tema exige um amplo estudo. Este texto, assim como a filosofia, quer antes de qualquer coisa, provocar, incomodar o leitor. A filosofia nos ensina que precisamos conhecer e analisar diversos pontos de vista para escolhermos um, ou alguns, ou ainda, não escolhermos nenhum deles. Depois de um amplo estudo sobre os direitos dos animais, cabe à cada pessoa pensar e, livremente, optar pelos seus hábitos alimentares. Independentemente disso, precisamos problematizar para tomarmos uma posição mais consciente diante das coisas e do mundo. Algumas pessoas são atropeladas pelos problemas porque nunca pararam para pensar neles.

Há pessoas que nunca pensaram no consumo de carne animal. Outras já pensaram, mas não veem o tema como problema. E algumas pensaram, estudaram e abandonaram o consumo de carne. E há pessoas que continuam pensando e se incomodando com o problema. Pensar no consumo de carne animal e nos direitos dos animais é necessário, sobretudo quando se fala em sustentabilidade, liberdade, caridade e justiça. Assim como é necessário pensarmos em vários problemas que nunca vimos como problemas, apesar dos problemas pessoais, sociais e planetários que já temos. Apesar de tudo, não apenas provoco, mas neste caso defendo explicitamente uma postura de protesto contra o abandono de animais e contra maus tratos. O abandono de animais é crime e deve ser penalizado. De repente, todos os problemas têm causas ou origens semelhantes, assim como também teriam soluções semelhantes. Mas isso também é apenas é uma provocação - não menos importante.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Os homens e os animais: infidelidade no uso da liberdade

Por Anderson Araújo
Tenho um casal de cães de raça não definida, "vira-lata". Lassie e Kirchof completarão 15 anos em 2012. Encontrei a fêmea, ainda filhote e faminta, abandonada numa caixa de papelão na calçada. Hoje a Lassie dorme o dia inteiro, sai da casinha para comer e tomar banho de sol, não dá trabalho algum. Já o Kirchof, o encontrei também ainda filhote e na rua, fazia parte dos filhotes de uma cadela que pertencia a um morador de rua. 

O Kirchof está cego há dois anos, manca, tem artrite e artrose, por isso me dá mais trabalho. Mas como meu "amigo fiel" resolvi não abandoná-lo. 

O Natal, festa cristã, está próximo, uma época de comemorações e de férias. Muitas famílias viajam nesta época. E é nesta época que muitas pessoas abandonam os seus animais nas ruas ou os deixam famintos e também abandonados em casa. 

Além do abandono que é também uma forma de violência, assistimos a inúmeros casos de violência contra os animais, sobretudo nos últimos dias. Cães famintos que saltam de prédios porque foram abandonados, outros são arrastados por seus donos em carros como uma forma de punição. E ainda, uma mulher agride um cão até a morte!

Na filosofia defendemos a ideia da liberdade humana, esta fantástica e dramática possibilidade que o ser humano tem de poder fazer escolhas. Escolhas entre o bem e o mal, certo e errado etc. Independentemente da cultura e da moral de cada povo e de cada época que vai dizer se é certo ou errado, necessário ou contingente, pode-se dizer que os seres humanos têm mais condições de exercerem um domínio sobre os animais.

Os animais brigam entre si, manifestam "raiva" ou "poder" como forma de se protegerem dos outros animais e dos seres humanos. Os animais matam - mas por necessidade de sobrevivência e de proteção deles mesmos e da sua prole. Os seres humanos não só fazem o mal aos outros humanos, mas também aos animais, não por necessidade de sobrevivência e não apenas fazem o mal, mas abusam e torturam os outros. 

Os seres humanos que caçam, machucam e agridem os animais desejam apenas sentir o prazer em ver o outro sofrer, e/ou manifestam o seu poder no olhar submisso do animal. Muitos homens são ofendidos ou não são reconhecidos socialmente e se sentem fracassados, mas encontram na violência contra os animais um  modo de manifestarem o seu poder e de serem "obedecidos" e "reconhecidos".

Os animais, sobretudo domesticados, são submissos. O ser humano é livre e quando comete o mal comprova esta liberdade, mas comprova também que só se torna forte diante daqueles que são frágeis ou submissos.

Enquanto um ser humano que chega aos 15 anos está no início da vida, um cão de 15 anos é "demasiadamente" idoso. Esqueci de dizer no início do texto que muitas famílias abandonam seus pais ou avós também quando estão idosos ou doentes. Imagine o que não fariam com os seus animais? 

Apesar dos inúmeros conselhos que recebi, não vou abandonar o Kirchof. 



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Solidariedade: coexistência

Anderson Araújo
O filósofo John Stuart Mill esclarece em seu livro "Utilitarismo" alguns argumentos sobre a teoria ética do utilitarismo. Apresenta o utilitarismo como uma teoria ética que busca maximizar a felicidade geral, ou seja, "aumentar a felicidade da maioria das pessoas". Neste caso, ser utilitarista significa promover a felicidade geral. Para isso pode ser necessário o auto-sacrifício do agente, pois este teria que, em algumas situações, abdicar da sua felicidade para tornar outras pessoas felizes. 

É uma teoria que, sem dúvida, é totalmente contrária a uma postura egoísta. Por isso o utilitarismo é uma das teorias éticas mais altruístas que existe. Pois está sempre pensando na felicidade dos outros como objetivo (fim) das suas ações. 

Para Stuart Mill o ser humano tem uma natureza social. Isso significa que temos, naturalmente, uma empatia pelo outro (ser humano) e por este motivo, vamos sempre desejar o bem do outro. Logo, entre a minha felicidade e a felicidade da maioria, eu teria que optar pela segunda. Será que teríamos razões para defender esta ideia de que o ser humano possui uma natureza social? A experiência nos diz que, uma vez inseridos no processo de socialização, podemos aprender a conviver pacificamente com os outros. Mas esta mesma experiência também nos diz que o ser humano é bastante competitivo e tende quase sempre a pensar em si mesmo, até mesmo como estratégia de sobrevivência. 

Ser altruísta ou egoísta não seriam posições que dependem de educação? O altruísmo, ser solidário ao outro, é algo que se aprende ainda nas brincadeiras de criança: compartilhar o brinquedo com o amigo ou até mesmo doá-lo para as crianças carentes. A felicidade do outro torna-se minha preocupação quando aprendo que o outro pode não ter sido tão privilegiado o quanto eu fui. E aí descubro que há muitas razões para dividir o que tenho ou acumulo.

A teoria do utilitarismo é acusada de ser exigente. Mas Stuart Mill lembra que é apenas uma orientação e não um dever ou obrigação. Por isso você não será punido pelos outros por não ter sido solidário ou por não ter se sacrificado pela felicidade da maioria. Se temos uma natureza social, nós mesmos vamos nos punir -  a nossa consciência que vai nos dizer que poderíamos ter agido de outra maneira. Mais uma vez, entendo que esta consciência, ou se quisermos, culpa, só pode ser sentida por aqueles que foram educados na prática solidária. 

Stuart Mill ainda defende uma compatibilidade entre o utilitarismo e a justiça. Pois ambos preocupam-se com o contexto das ações humanas. Cada caso deve ser analisado de acordo com as circunstâncias. Algumas ações consideradas normalmente como ações moralmente ruins podem ser consideradas boas ou necessárias quando a vida e a felicidade de uma maioria está em jogo, como mentir para salvar a vida de alguém de um provável assassinato, ou o roubo de comida no caso de uma pessoa miserável e que está passando fome.

Uma conclusão provisória. A coexistência de pessoas felizes deveria ser um norteador de todo programa educacional, ético e de governo. Posso ser feliz com o outro sem que eu tenha que abrir mão da minha felicidade. Compartilhar, ser altruísta ou utilitarista pode ser fácil, sem que seja necessário o auto-sacrifício do agente. Basta aprendermos a seguir menos a lógica destrutiva do mercado da acumulação. Compartilhar e dividir o que se tem, e principalmente o que se acumula. 

sábado, 1 de outubro de 2011

O Brasil e o "Jeitinho Brasileiro"

Por Anderson Araújo
Sinto-me envergonhado como cidadão brasileiro, apesar de perceber as inúmeras qualidades e características nobres, belas e peculiares ao povo brasileiro, tais como generosidade, alegria e criatividade (que inclui a arte e os esportes em geral); sem falar na capacidade que o brasileiro e a brasileira têm de se esforçar para superar a miséria (na mesa, na saúde e na educação). 

Poderíamos enumerar grandes exemplos de superação, HONESTIDADE e generosidade.  Mas como brasileiro, professor e, pensador, gostaria de expressar a minha indignação e revolta em relação ao famoso "jeitinho brasileiro". Quero deixar claro que não tenho um olhar ingênuo e romântico em relação a outros países, sobretudo da Europa. Há corrupção, mentira e crimes em todos os lugares do mundo! Mas há algo em nossa cultura que sempre é visto com um sorriso "malandro" por parte de muitas pessoas, o jeitinho de fazer o que não pode, o jeitinho de burlar a lei, de enganar o outro e de furar a fila, por exemplo. 

A mãe de CARÁTER nobre ensina ao filho: "Devolva ao outro o que não é seu". Mas a cultura da ESPERTEZA diz que você deve acumular e ganhar sem ter trabalhado ou aproveitar da ingenuidade do outro. A fala da mãe de CARÁTER nobre é vista por muitos como "boba" e "ingênua". 

E então vêm os políticos e a corrupção. Denúncias de fraudes, "lavagem de dinheiro", "laranjas", "Caixa 2" aumento desmedido e SEM MÉRITOS dos próprios salários etc. Crescem as filas nos hospitais e o descaso com médicos e, professores. As crianças crescem com a imagem corrupta dos políticos e, pior, com a imagem da IMPUNIDADE. Os maus exemplos ganham espaço nos meios de comunicação. É verdade, cresceram também as denúncias. Mas pouco vimos ou quase não vimos um político ou outro cidadão SUSPEITO ou ACUSADO de fraude e de corrupção ser punido. 

Vemos vídeos, ouvimos ligações telefônicas como provas de que houve corrupção e, em outras palavras, vimos os CRIMES serem cometidos. Mas vimos e ouvimos também os CRIMINOSOS desmentirem e rirem na frente das câmeras e dormirem em paz, em casa, e não na prisão, lugar de criminosos. 

Por que podemos caracterizar este JEITINHO como BRASILEIRO? Para responder a esta questão, recorro a uma das inúmeras frases e ideias do pensador e músico Tico Santa Cruz, que vem protestando com frequência nos shows, caminhadas e redes sociais contra este jeitinho: "Lembrem-se disso: corrupção existe em todo lugar do mundo! Impunidade é coisa nossa!". Se o Brasil é o país dos maus exemplos é porque os maus exemplos não são punidos. 

Contra o jeitinho brasileiro: leis que sejam executadas e respeitadas. Os cidadãos, ladrões de galinha ou dos cofres públicos devem ser punidos de modo exemplar. Este modo deve ter como principal objetivo mostrar aos outros que determinadas ações não são nem permitidas, nem engraçadas. Privação da liberdade? Pena de morte? Prisão perpétua? São modos que merecem debates e um julgamento de toda a população brasileira.

Independente da ação dos nossos governantes e das nossas autoridades, é necessário encontrar meios de proliferar os bons exemplos, de emancipar o olhar da criança e do adolescente e principalmente dos pais e educadores em geral. Educador não é apenas o professor, mas também o pai, o político, o faxineiro, o músico, o ator e o jogador de futebol. Educador é todo aquele que influencia a vida das crianças. Se você tem este poder e deseja mudar o jeitinho brasileiro, dê o seu recado e o seu exemplo. Que as ações contra o desagradável e criminoso "jeitinho" sirvam para promover a paz, a harmonia e a não-violência. 

sábado, 13 de agosto de 2011

As Virtudes: Humildade e Amor-próprio

Por Anderson Araújo


A humildade é a virtude mais humilde porque o humilde nunca vai dizer que é humilde. O humilde sempre vai ter consciência de que ainda não é humilde, de que precisa melhorar as suas atitudes e de que precisa aprender ainda muita coisa. 

Por isso, pode-se dizer que ser humilde é ser sábio. Pois a pessoa humilde busca aprender sempre mais, está sempre aberta ao conhecimento do novo, do outro e de si mesmo. Humildade é, em outras palavras, conhecimento da própria ignorância. Isso significa dizer que o humilde sabe que ignora, ou seja, sabe que desconhece outros campos do saber e muita coisa sobre o mundo. 

A falta da virtude da humildade é o orgulho. O orgulho é a ignorância da ignorância. O orgulhoso acredita que sabe tudo e que não há mais nada para aprender sobre o mundo com os livros ou com as outras pessoas. O orgulhoso ignora que ignora. Isso quer dizer que ele não sabe que, sobre o mundo e sobre si mesmo, ele não sabe muita coisa; que ainda falta muito para aprender, e por isso mesmo nada aprende.

Saber amar a si mesmo é também uma virtude, pois é a capacidade de, moderadamente, dar um valor a si mesmo. Por isso pode-se dizer que o amor-próprio é um cuidado de si. Cuidado com o corpo, com a mente e com a sua própria imagem. 

Quem tem amor próprio tem autoestima. Por isso a falta de amor-próprio seria uma espécie de baixa autoestima, e por isso um vício - um mau hábito, a capacidade de se julgar com freqüência, inferior em relação às outras pessoas. A falta de cuidado com o corpo, com a “vida intelectual” pode revelar uma baixa autoestima. 

Apesar disso, o excesso de cuidado com a própria imagem também pode revelar uma baixa autoestima, pois aquele que dá um valor excessivo à sua própria imagem se sente inseguro, sem conteúdo e sem valor para as outras pessoas, e por isso, tenta compensar o seu “baixo valor” com a sua imagem, os músculos e a beleza física. 

É bastante sutil a distância entre amor-próprio e a vaidade. Pois ambos dizem respeito ao “ego”, ao “eu” da pessoa. Mas enquanto o primeiro revela apenas amor, cuidado de si e respeito a si mesmo; a vaidade revela que falta amor a si mesmo, respeito a si mesmo, pois ocorre uma supervalorização à imagem e ao corpo, ou ao intelecto.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Vestibular UFMG 2012

Veja abaixo os cursos que terão prova específica de FILOSOFIA na Segunda Etapa do Vestibular da UFMG/2012, além, é claro, do curso de filosofia.

Artes Visuais
Ciências Sociais
Cinema de Animação e Artes Digitais
Comunicação Social
Ciências do Estado
Direito
Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis
Design de Moda

Textos de FILOSOFIA indicados ao vestibular


(Todos estão disponíveis para DOWNLOAD na página da COPEVE/UFMG, mas você pode acessá-los por aqui, clique sobre eles). 




sexta-feira, 24 de junho de 2011

Os melhores anos da nossa vida

Por Anderson Araújo
Os melhores anos da nossa vida são aqueles nos quais sempre é possível um recomeço; são os anos que nos permitem errar, e muito! Não estou dizendo que uma determinada idade não nos permite errar. Estou pensando que alguns momentos nos permitem errar e recomeçar com mais facilidade. Mas é verdade que recomeçar algumas coisas em determinada idade torna-se mais difícil, ainda que possível. 

Apaixonar-se diversas vezes não depende de idade. A idade só torna o amante "calejado". Ele sabe que alguns caminhos não vão dar em nada. Idosos apaixonam-se com desapego, o que é uma grande lição para os jovens. O "velho" sabe que o outro precisa partir para voltar mais belo. É um amor eminentemente contemplativo, de admiração e encantamento - e com liberdade. 

Poder recomeçar uma vida profissional é um dos maiores desafios; é como aprender outro idioma. Novas regras, diferentes comandos, e um jeito de pensar específico. Descobre-se uma nova grande gaveta no cérebro. Ganha-se mais espaço, mais vocabulário e expande-se a memória. 

Sempre ouvi que grandes filósofos são pessoas que viajam muito. As viagens permitem o acesso a outras culturas e povos, nos tornando mais flexíveis com nós mesmos e com os outros, portanto, mais tolerantes. O que me lembra a canção do Frejat, "Amor pra recomeçar": "com os que erram feio e bastante, que você consiga ser tolerante". Há pessoas que não apenas erram conosco, mas erram feio e bastante...

Os melhores anos da nossa vida são aqueles que somos mais tolerantes com os outros. Mas são principalmente aqueles que somos mais tolerantes com a gente mesmo. E acredito que isso só se alcança com  muita vivência. Vivência cronológica, que pode se alcançar com muitos anos de vida, ou vivência subjetiva, a partir de grandes experiências, como perdas, lutos, dores ou também momentos intensos de alegria e de descobertas. 

Por fim, penso que os melhores anos da nossa vida são aqueles que corremos muito para encontrar ou descobrir alguma coisa. São os anos que trabalhamos tanto e estudamos muito para encontrar respostas e fazer perguntas mais interessantes sobre a vida; os anos que passamos em busca de outras conquistas. Nos melhores anos da nossa vida descobrimos que ganhar dinheiro é bom, porém mais importante do que ganhá-lo é acatar o conselho do compositor Frejat: "Diga a ele pelo menos uma vez quem é mesmo o dono de quem", porque os melhores anos da nossa vida são feitos de desapego, de alegria fácil, tolerância, afeto, companheirismo e descobertas.