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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Vingança sofisticada

Por Anderson Araújo
Li numa revista que o Chico Anísio disse que uma das piores coisas do mundo é a ingratidão, que é a incapacidade de reconhecer que o outro lhe fez algo que ele poderia não ter feito, ou ainda, incapacidade de reconhecer que o outro lhe fez algo que outros que tinham condições de fazer, não fizeram.

Assunto complexo. Nietzsche, o filósofo que incomoda tanta gente, diz que a gratidão só é possível entre iguais. E que uma forma sofisticada de vingança consiste em dar, em presentear, e não em ficar alimentando maneiras e modos de vingar-se, nem ficar nutrindo sentimentos rancorosos ou ressentimentos diante daqueles que nos fizeram algum mal.

Muita gente tem até vontade de agradecer aos outros por algo que lhe fizeram. Mas, na verdade, muita gente não sabe agradecer. Há pais que não sabem agradecer aos filhos. Há filhos que não sabem agradecer aos pais.

As pessoas que não sabem agradecer pensam que na atitude de agradecimento elas manifestarão a sua pequenez e até mesmo a sua miséria. Mas o que Nietzsche diz é o contrário, a gratidão revela que somos fortes e que alcançamos um equilíbrio de poder e de forças diante do outro.

Será a ingratidão coisa dos fracos?

4 comentários:

Enzo Potel disse...

no filme Além da Linha Vermelha uma das primeiras frases que surgem na tela é "existe alguma força vingativa no perdão"?

me lembrei disso ao ler o texto... se no perdão e na gratidão há, onde mais pode haver vingança?

abraço!

Anônimo disse...

A meu ver, a ingratidão deriva da ignorância. Assim, tomando como ignorante - neste contexto - aquele que ignora ter sido alvo de algum gesto, espontâneo ou não, de gratidão, teremos também um ser com visão restrita, "tosco". Tal ser, sendo incapaz de enxergar além do seu próprio umbigo, também não consegue prestar homenagem a quem lhe proporciona algum bem.
Afinal, o que é o agradecimento senão o reconhecimento de termos sido únicos para alguém em determinada circunstância?
E veja bem, o favorecimento oferecido é circunstancial, mas a gratidão ecoará por toda a eternidade...
Penso que Nietzsche estava certo ao afirmar que a gratidão só é possível entre iguais e eu ousaria acrescentar, entre GRANDES. Quem, senão os maiores, procuram compreender as Leis Universais (de causa e efeito, de retorno, etc.)?
Quanto à visão dele sobre a vingança, me leva a pensar sobre a (in)existência do PERDÃO. Mas isso é assunto para um bate-papo "presencial", não é mesmo?

Forte abraço,
Catarina

edna disse...

Acredito que vingança ingratidão
não podem e não devem fazer parte de nossas vidas.Parabens pelos artigos e comentários.São enriquecedores....

Patricia disse...

Amigo Anderson,
texto bacana e de reflexão...
ao meu ver a pessoa que lhe presta um favor ou te ajuda de alguma maneira não deve fazê-lo pensando em ser recompensado o que seria ajudar esperando receber.No entanto, o que é ajudado pode prestar-lhe seus agradecimentos também ajudando alguém sem esperar retorno. A gratidão não precisa ser expressa em palavras de obrigado, valeu , ou DEUS lhe pague, mas nas ações apresentadas todos os dias